Sábado, 24 de Out de 2026

Brasil precisa de livros e não de armas para enxergar que misogenia, homofobia e intolerância religiosa não são símbolos civilizatórios! De volta às trevas, parte do país aderiu à bestialidade imbecil de um bronco!

08/09/2022 675 visualizações

Tenho amigos (e parentes) getulistas (isto mesmo, 70 anos pós-Vargas), janguistas, janistas, siqueiristas, avelinistas, direitistas, esquerdistas, bolsonaristas, lulistas, evangélicos, católicos, espíritas, adeptos do candomblé, ateus ou sem religião alguma (coisas distintas), apartidários e até apolíticos.

Persistiam em suas crenças (e crendices) até aqui assegurados por uma Constituição da República elaborada numa assembleia nacional constituinte que cimentou a base da democracia no país, 24 anos após os militares a terem rasgado com um golpe de Estado, fecharem o Congresso e o Supremo, criarem a censura, o DOI-CODI (para perseguir e prender adversários políticos do regime), desaparecer com estudantes e eliminarem o habeas corpus.

Agora, 34 anos após a Constituição democrática, Jair Bolsonaro convence setores da sociedade, de analfabetos a doutores, de desempregados a policiais e militares muito bem pagos pelo poder público (por todos, independente de gênero, ideologia ou religião), a eliminar os católicos, os homossexuais, os partidos políticos, os adeptos de outras religiões, os pensamentos diferentes que lhe são contrários.

E afirmarem como condição para ser brasileiro, a virilidade sexual como sugeriu explicitamente ontem o Chefe da Nação em um abuso de poder econômico e político indiscutível, transformando uma data cívica da Nação de 200 anos em comício eleitoral bancado com recursos públicos.

Sem importar-se com a liturgia do cargo, a nação ou até mesmo com o que ensina a ciência da psicologia e da psiquiatria sobre a auto-afirmação sexual de virilidade como expediente certificador de sua própria condição inversamente contrário.

É quando a afirmação afirma mais a negação. Ou seja, aquele que afirma estaria cedendo a outro lado. Ninguém que é, trata sua condição como entrada de porta dado que simplesmente já seria sem a necessidade de afirmá-lo reiteradamente. Um caso típico do ativo que após o ato elimina o passivo, tentando expurgar o passivo que carrega em si, disfarçado de ativo.

Do mesmo modo que o medo de não mais poder controlar-se e ao que lhe foge do domínio, como é o caso dos gêneros que se afirmam independente da “virilidade” daqueles que os combatem como adversários, expondo, por lógica, que estivessem iguais numa mesma disputa, quando o acirramento indica, pelo contrário, derrota de Bolsonaro e sua rendição ao gênero que diz repelir.

O lingüista francês Émile Benveniste escrevia que a relação da palavra com o conceito era a única necessária e não arbitrária. Bolsonaro e seus tributários ao expressarem o que expressam, assim, estariam expondo o Eu individual que carregam, resultado dos conceitos que possuem. E que levaria à conclusão por sentido lógico: seriam misóginos, homofóbicos, intolerantes religiosos e fascistas como seu “duce”.

Nada que a história não registre nos milhões de assassinatos de Hitler, Stalin, Mussolini, Pinochet, Vargas, Garrastazu Médici, Costa e Silva,Idi Amin, Saddam Hussein, Francisco Franco, Rafael Videla, Mao-Tse-Tung, Muammar Kaddaf, Papa Doc ou Kim Jong-um.

A indicação ou designação subsumindo os estados de coisas individuais e os designantes singulares. O Brasil precisa de livros e não de armas.

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