Nesta segunda ocorre a grande missa de Nosso Senhor do Bonfim. Desde 2010 consumo quatro dias e meio de Palmas ao Santuário, tendo como ponto de partida Palmas, distante 243 km do Santuário. Na verdade lá em casa,, romaria é tradição que vem de avós, bisavós, tataravós de Porto Nacional onde minha família é uma das mais velhas e tradicionais. E de meu pai, um baiano que veio a pés de Formosa do Rio Preto/Bahia (onde nasceu) até Porto Nacional onde fixou-se.
Sou negro de pai e de mãe. Meu avô materno, Ananias Pinto, era filho de Pedro Pinto Cerqueira e neto de Pio Pinto Cerqueira. Todos quilombolas de Conceição. Ananias escrevia o Ecos do Tocantins com Trajano Coelho Neto e A Tarde (de Carolina), com Catão Maranhão. Dois vértices na criação do Estado.
Este ano, sai na quarta e entrei na igreja às 8h30 de domingo. Mais uma missão cumprida. Caminho a Bonfim, como muitos sabem, pela cura de minha filha mais nova que enfrentou uma leucemia em 2009 e a venceu em três anos de quimioterapia.
As pessoas do povoado já me conhecem, os padres, os diáconos, os demais romeiros, os ambulantes porque, como eles, todos os anos estou ali. E caminhando 243 km em quatro dias e meio.
Ontem, ainda descansava das dores da caminhada e com a espinha dorsal comprometida quando fui admoestado e com dedo na cara humilhado por dois PMs armados no meio da multidão.
Sem explicação nenhuma do que psicopatia (despreparo e prepotência) de policiais armados e brancos bem tratados (pela boa vida que lhes proporciona o cidadão comum que disputa osso no açougue, sem noção de suas funções de dar segurança ao cidadão e não trata-lo como bandido sem motivo algum. E olha que a maioria dos romeiros é feita de gente pobre e negra.
Sem qualquer explicação gritando segurando o cabo da arma e dedo em riste contra o romeiro que registrava a romaria para documentário divulgando a festa religiosa. Agredido verbalmente e em tom ameaçador por situação criada pelos próprios policiais despreparados e pagos pelo cidadão comum.
Motivo da agressão: os policiais queriam que o romeiro retirasse do local de vendas para passagem de cavaleiros uma banca de bijuterias que evidentemente não era do romeiro. mas que os PMs na sua loucura não quiseram entender. Como advogado e conhecedor de leis básicas, tinha noção da gravidade de remover banca sem consentimento do dono que, inclusive, obtem alvará da paroquia para ali instalar seu comércio digno.
E eu não era autoridade ainda que própria autoridade para fazê-lo não o poderia apenas com o exercício imotivado de armas na cintura. A autoridade é ainda da lei O servidor público apenas dela é investido para ela exercer mas não ao seu modo. Mas ao modo da lei o que efetivamente alli não era isto que faziam.
Mas a dupla de policiais (uma mulher inclusive) não queriam nem saber se eu estava ali (como lhes informara) apenas aguardando um troco. No fundo provocando o romeiro para reação que justificasse o de sempre: desacato a autoridade para justificar seus desvios profissionais e o equívoco inconteste dos brucutus que pagamos para nós dar segurança e não medo. Caíram do cavalo porque percebi a armadilha.
Estou de volta a Palmas e não são dois idiotas mal treinados e psicopatas que vou descrer da PM do Estado e de Nosso Senhor Do Bonfim. A PM que tem gente preparada e ciente de suas atribuições tem por obrigação retirar seus psicopatas da rua cujos salários são nóss que pagamos
O comandante geral da PM, coronel Silva Neto, ligou-me na noite de ontem pedindo desculpas, em nome da Corporação, pelo assédio moral e intimidação praticados contra mim por dois policiais na manhã de ontem no povoado de Nosso Senhor do Bonfim. Disse-me que não era esse o papel da PM e que iria abrir uma investigação interna (sindicância).
Silva Neto, que me conhece há quase três décadas desde quando iníciou sua carreira policial (tenho parentes colaterais de primeiro grau como oficiais da PM de sua geração, um deles é coronel) indagou-se se eu teria interesse em interpelar judicialmente os PMs, pois sabe que conheço (como muitos sabem de sua conduta policial até hoje sem freios institucionais da comandante da operação). E olha que muitos outros ex-comandantes me conhecem desde a criação do Estado. Alguns, bons amigos e meus leitores diarios nestes 30 anos.
E que como se nota, a comandante da operção em Bonfim (uma senhora já de idade e muito conhecida nos seus desatinos bancados pelo cidadão) faz seguidores como o jovem PM, um desses garotões que estudam para concursos e com a arma na cintura se esquecem de sua condição de servidor público que tem seus salários (acima da média nacional), aposentadoria com salário integral e plano de saúde bancados pelo cidadão que é obrigado a respeitar.
Tenho nome e fotos dos dois (e estávamos fazendo imagens para um documentário), assim como dezenas de testemunhas, dentre as quais meu parceiro de dez anos de romaria, um empresário portuense de 70 anos.
Uns psicopatas e despreparados que seguem sem punição. Se encontram um pobre e preto à noite, certamente o resultado da operação seria diferente: uma reação a injusta agressão, que é como os bandidos da PM (uma minoria na Corporação) apagam os equívocos de sua prepotência e violência (há casos inúmeros sendo investigados).
O meu caso só foi diferente porque era de dia e com um monte de testemunhas. E como óbvio, não sabiam os desvairados, estivessem admoestando um pobre e preto conhecido. E cuja romaria era acompanhada por muitos em tempo real nas redes sociais, como ocorre todos os anos.


