A opção por ambiente fechado (longe da imprensa e das ruas) com prefeitos e de aliados do Palácio Araguaia favorece a dedução de que Jair Bolsonaro tenha aceitado vir ao Estado para captar apoios políticos à sua ainda distante sucessão.
Não sem razão, compareceu acompanhado de quatro ministros e o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, do Democratas, mesmo partido de Mauro Carlesse.
Ainda que não se tenha certeza da direção do DEM (Rodrigo Maia pode ter um projeto diferente) é um indicativo suficiente para não se ignorar a conexão. Como Alcolumbre não era um dos contratantes e nem presidente do DEM é, veio por causa de pessoas e não do partido.
Isto implicaria, por mera relação de causa e efeito, entabular uma aliança com Mauro Carlesse (e parte da bancada congressista) que beneficiaria a ambos. E, por gravidade, o senador Eduardo Gomes, líder do governo federal no Congresso.
Encarregado da articulação governista com os 513 deputados federais e 81 senadores, Gomes demonstrou força política (responsável direto pela agenda presidencial no Estado) e não se pode negligenciar que o MDB em frangalhos tenha no Senador, nas atuais circunstâncias em que o partido se encontra, um elemento catalizador.
Não haveria melhor oportunidade para Bolsonaro, assim, ainda que se submetesse ao escrutínio de que a União não teria nada a ver com a assinatura do contrato com a Caixa e nem linhas de crédito precisam de contratos para serem disponibilizadas. O governo estadual não tinha era acesso pelo cadastro negativo. O evento, não restavam dúvidas, era meramente político. Um direito legítimo dos políticos investidos em cargos públicos.
No mérito do programa lançado pelo governo, o Palácio seguiu o fluxo e a inércia dos governos anteriores. Juntou os investimentos em curso que já faz no Estado (dentro do orçamento de 2019), as contrapartidas já pagas com os dois "contratos" de R$ 583 milhões e saiu com um programa destinado a prefeitos e municípios (sem dinheiro) com cifras 26% superiores: R$ 759 milhões. Obras que serão licitadas pelo governo e não pelos prefeitos.
Ainda assim é um número relevante: representa, num só programa, mais que os investimentos realizados em 2018 e 2019 até hoje: R$ 693 milhões (R$ R$ 380 milhões/2018 – R$ 313 milhões/2019). Ou 62% dos R$ 1,184 bilhões investidos pelo governo do Estado em três anos (2017/2018/2019-R$ 1,184 bilhões) num só programa. E ainda tem o orçamento de investimentos (LOA) para 2020, ano eleitoral.
Daí o muxoxo de pequena parcela da oposição a Carlesse que parece, é dado inferir-se pelas críticas nas redes sociais, também ser contra a vacina anti-rábica ou contra a paralisia infantil. Uma luta vã (e insana) opor-se a obras públicas. Os juros do contrato e o endividamento seguiram o rito legislativo, onde deveriam ter sido questionados.


