A derrota circunstancial do projeto Jair Bolsonaro ontem acena com o retorno à normalidade democrática e institucional no país.
De ontem para hoje já se percebe uma distensão que nem mesmo os esbirros esparsos autoritários de caminhoneiros (sem o endosso de suas lideranças) fechando rodovias e pregando o golpe do Exército faz mais sentido nem converge bolsonaristas.
O discurso inclusivo de Lula acenando a todas as religiões, ideologias, partidos, sexo, raça e cor por mais que devesse representar uma obrigação de todo presidente constitucionalmente eleito, assume, nestes tempos escuros, assim, natureza regeneradora e pedagógica.
Os eleitores (50,90%/49,10%) disseram não ao que representava Jair Bolsonaro com seus milhares de Carlas Zambellis e Robertos Jefersons alienados pela filosofia da seita bolsonarista.
A falta de conhecimento e sentido fez Jair consumir quatro anos de seu mandato a propor golpes, negar o Covid-19 e a estuprar a Constituição por interesse próprio e contrário ao estado democrático de direito.
Se tivesse optado por governar seguindo a ordem democrática, talvez não fosse hoje o primeiro presidente brasileiro a não reeleger-se no cargo.
Mas preferiu a cabeça autoritária do Carluxo e seu gabinete do ódio, e apostar na direita burra (a inteligente quer é segurança jurídica para crescer e ganhar dinheiro) para dar um golpe nas instituições como consumiu a maior parte do quadriênio.
Não há qualquer dúvida de que a vida da maioria dos brasileiros hoje está pior do que há quatro anos. Com um agravante: a cunha do ódio separando pais de filhos, irmãos e amigos, religiosos, agnósticos e ateus.
No Estado, os eleitores mantiveram seu voto a Lula: 51,36% a 48,64% (no primeiro turno fora 50,40% a 44%). O poder público contribuiu com o aumento de 9,44% da abstenção entre o 1º e o 2º turnos.
O ponto facultativo da sexta (governo) e a transferência do feriado de sexta para hoje possibilitou ao servidor da prefeitura da Capital, esticar até quarta, finados, e ter cinco dias para viajar no período eleitoral.
Decisão que não alterou o resultado de Jair na capital (60,32%) contra 39,68% de Lula. No primeiro turno, Jair obteve na capital 54,70% e Lula 38,06%. Ou seja, feriadão teria aumentado os votos bolsonaristas em Palmas.
Não poderia ser mais previsível: enquanto presidentes de países da Europa e América parabenizavam ontem Lula pela eleição, Jair Bolsonaro foi dormir, deixando seus eleitores (e o país) degustando o que ele tem como princípio de democracia, como o fez nos últimos quatro anos.


