O presidente Jair Bolsonaro foi derrotado no Tocantins pelo candidato do PT, Fernando Haddad. Isto não significaria, evidentemente, que o Estado fosse petista. No Estado o petista obteve 51,01% dos votos contra 49,99% de Bolsonaro. Na Capital, o presidente derrotou o petista: 64,88% dos votos contra 35,12% de Haddad.
Talvez a verdade sobre a derrota de Bolsonaro no Estado esteja mais próxima nas 600 mil pessoas que no Tocantins dependem do Bolsa Família (onde Lula encaixou os programas sociais/bolsas criados por FHC) ou nos 55% da população na pobreza ou extrema pobreza.
Bolsonaro é o presidente. Deve obrigação a todos os brasileiros e não somente ao exército de seguidores que o fazem transformar o Palácio do Planalto numa latrina das redes sociais e de lunáticos.
Para o bem do país, Bolsonaro, sob as regras do estado democrático e de direito, deve ter liberdade para governar e aplicar o projeto que defendeu para o país. Mas é ele que não se governa.
Nas repúblicas democráticas há a forma e a norma. Presidentes governam com outros poderes (Legislativo e Judiciário), no sistema freios e contra-pesos, em favor da população e em prevenção a déspotas, esclarecidos ou não.
Caso contrário, seríamos uma ditadura. E só quem viveu uma ditadura sabe o que ela é. A maioria aí que defende seus métodos não conheceu a ditadura militar. Tem menos de 35 anos. Veem-na como a esperança verde-oliva.
Não creem na tortura nem nos escândalos da roubalheira do governos militares na Amazônia, especialmente. Não raciocinam que a maioria da população deles não teve conhecimento justamente pelos princípios da ditadura: censura à imprensa. Aliás, não só censuravam, mas também matavam jornalistas.
As condutas diárias de Bolsonaro no exercício do cargo de presidente da República se mostram desruptivas e inclinam-se a negar esse estado democrático e de direito para autorizar-lhes a fazer o que der na telha. Escrevo à vontade sobre o assunto porque já o apontava na campanha eleitoral. Apesar da latrina das redes sociais que enxovalhavam o blog. Sem ler o blog, diziam-me petista.
Evidentemente que os petistas acharam graça dado os artigos que escrevia sobre a roubalheira dos governos Lula e os ímpetos ditatoriais de Zé Dirceu, então capo do PT, com seu marxismo-leninismo chinfrin enquanto enchia as burras de dinheiro público e era ovacionado como "guerreiro do povo brasileiro". As redes de Bolsonaro nessa época não falavam. Apareceram com Bolsonaro e, com seu obscurantismo, tentam negar a própria história. Não tenho medo de rede social, não escrevo para atrair acessos.
O incentivo às manifestações pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e agora a chantagem com o governo do Ceará, condicionando a prorrogação da GLO (só implementada por pressão de governadores de sete Estados) à aprovação, pelo Congresso, da excludente de ilicitude (licença para bandidos de farda matarem cidadãos sem serem punidos, em plena greve de bandidos de farda que se juntam a bandidos sem farda) é inominável como conduta de um presidente que tenha propósitos de pacificar o país e defendê-lo como democrático.
O país, não tomada alguma providência por parte do Legislativo e do Judiciário, caminha para a Venezuela ou para as piores ditaduras do mundo contemporâneo. E impulsionado por uma minoria por seus atos considerada ensandecida, ignorante e alienada
O grupo de apoio às arbitrariedades do presidente não é a maioria do país. Jair Bolsonaro foi eleito com 57 milhões de votos. Significa o apoio de apenas 27% dos 211 milhões de brasileiros e de 38% dos eleitores do país (são 147 milhões de eleitores no país).
De outro modo: de uma forma ou de outra, 154 milhões de brasileiros ou 90 milhões de eleitores não escolheram a situação colocada.
Se por menos ou mais não o autorizaria a descumprir a Constituição da República e o estado democrático e de direito, essa população aí, pode ser conflagrada pelas condutas erráticas do Presidente que, ao invés de governar o país, dedica-se a dividi-lo com ações diárias em direção à ditadura.
Uma equação inversa já que a grande maioria da população não escolheu o método bolsonariano. Seriam (numa hipotética disputa de loucura bolsonariana) 154 milhões de brasileiros contra outros 57 milhões de outros brasileiros. Isto tem que, necessariamente, ser interrompido. Não só pelo bem do país e da democracia. Mas do próprio Bolsonaro e de seu governo.
Um país com três presidentes defenestrados do cargo por impeachment não faz bem à sua população. Não é a população que impede Bolsonaro de governar o país. É ele próprio, seu perfil, sua história e o seu séquito das redes sociais.


