Sábado, 24 de Out de 2026

Bolsonaristas que defendiam Dimas e descascavam Wanderlei, agora em guerra santa para que Governador declare apoio em Bolsonaro que lhe fez campanha contra!!! Contrariando escolhas do eleitor no 1° turno!!

06/10/2022 683 visualizações

O agronegócio tem jogado pesado pela reeleição de Jair Bolsonaro. É legítima a ação político-corporativa das entidades. O nó se dá na conexão que buscam imprimir entre o agro e uma suposta melhoria da qualidade de vida da população, ligando-os ao Presidente.

No Estado, por exemplo, circulou ontem nas redes um manifesto de produtores de soja, não só defendendo a continuidade do Jair, mas indiretamente pressionando o governador Wanderlei Barbosa, reeleito no último domingo, a também fazê-lo.

.Tudo  na pressuposição de que o Chefe do Executivo, em assim deliberando, seguiria a vontade popular. E não somente deles. Uma tese inverídica, considerados os resultados do 1° turno que expressou a vontade do eleitor na votação presidencial.

Tanto política como partidariamente, Wanderlei não teria razão alguma para pedir votos a Jair Bolsonaro. Ainda que o seu partido, Republicanos, fosse considerado aliado do presidente, ele deu uma banana a Wanderlei .

E já na convenção do PL definiu-se por Ronaldo Dimas, mandando seu filho senador Flávio Bolsonaro, a convenção para pedir votos ao ex-prefeito de Araguaína. Não satisfeito fez pessoalmente campanha por Dimas no Bico do Papagaio a uma semana do pleito.

Do ponto de vista econômico, aí sim, eles teriam motivos para apoiar Bolsonaro (a desidratação dos órgãos fiscalizadores de desmatamento e do meio ambiente, fechada de olhos para trabalho escravo, abertura da Amazônia para criação de gado e garimpo ilegal, extração ilegal de madeiras e até mesmo o auto licenciamento ambiental, uma aberração).

E careciam de razões para pressionar Wanderlei que já os beneficie com isenções fiscais bondosas, já que apesar da defesa dos agropecuaristas bolsonaristas de seu candidato ao governo nas eleições passadas, Wanderlei reduziu para 2% o ICMS na circulação interna ao setor. Já nas exportações pagam zero de imposto. Uma mamata somada ao uso das vias de escoamento sem pagar pedágio que minimize o custo do contribuinte com os prejuízos causados pelo peso de carretas.

Os agropecuaristas fecharam o mês de setembro de 2022 (dados do Ministério da Economia/Cacex) com exportações (no ano) de R$ 13,1 bilhões (pela cotação do dólar de 30 de setembro). O valor é 55,4% superior às exportações de janeiro a setembro/21. Já é R$ 3 bilhões superior aos R$ 10,2 bilhões (na cotação do dólar de 31 de dezembro de 2021) das exportações de todo o ano passado. Uma diferença que equivale a 27% do orçamento do governo do Estado para o exercício. Esse ganho empurra o PIB às previsões superiores aos R$ 44 bilhões previstos na LDO 2022.

Do outro lado desta fartura, no cadastro único do Ministério da Cidadania se via ontem que no Estado 128 mil famílias (512 mil pessoas) tinham renda per capita mensal de R$ 100,00 (extrema pobreza) e outras 44 mil famílias (176 mil pessoas) com renda entre R$ 100,00 e 200,00.

Na última PNAD/IBGE trimestral (segundo trimestre) de uma população economicamente ativa de 1,271 milhão de pessoas (acima de 15 anos) apenas 783 mil estavam na força de trabalho. Destes, 43 mil desocupados. Já fora da força de trabalho se encontravam 487 mil sobreviventes.

Talvez esteja aí o motivo da população do Estado ter preferido o PT nas disputas presidenciais nos últimos 20 anos.  O PT venceu no Estado em 2002 (Lula/61,27%), 2006 (Lula/70,27%), 2010 (Dilma/56,05%), 2014 (Dilma/50,23%) e 2018 (Fernando Hadad/51,02%). E manteve o patamar no primeiro turno de 2022: Lula com 50,40% dos votos dos eleitores do Estado.

Mas nestes anos todos ainda não se tinha visto um movimento tão explícito do agro, no que iluminam, por mera lógica, seus lucros e os prejuízos daqueles que os proporcionam.

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