O ex-presidente Jair Bolsonaro tem agenda na Capital nesta sexta. Perdeu a eleição, mas mantém parcela de seus seguidores.
Na Capital, teve 60,32% dos votos em 2022. Contra 39,68% de Lula, seu adversário no segundo turno.
Tem como ponta de lança no Estado o senador Eduardo Gomes que se movimenta sem alardes. Articula longe dos holofotes com resultados que justificam sua liderança,
O parlamentar preside o partido de Bolsonaro (PL) no Estado e foi líder de seu governo no Congresso.
Bolsonaro está inelegível, pode ser indiciado novamente pela PF por tentativa de golpe de Estado, mas não está proibido de fazer política.
É, racionalmente, o maior cabo eleitoral da direita nas eleições deste ano. E tem um naco de eleitores que o segue até de olhos vendados.
Não é por seus modos, olhos e cor da pele, portanto, que deputados, senadores e líderes religiosos não saem de sua aba.
Pode encabeçar manifestações em qualquer parte do país. E na Capital impulsionar a pré-campanha de Janad Valcari. Um direito.
Ainda que se possa raciocinar que Janad pudesse ganhar mais com Bolsonaro numa eventual campanha no segundo turno em face de sua posição presente.
Mas ainda tem o primeiro turno e o PL deve pensar que seguro morreu de velho. E consequências não vem antes,mas depois.
O problema da manifestação desta sexta é de outra ordem. Como é público a agenda do PL vai até amanhã, sábado, com o encontro do PL Mulher.
Os bolsonaristas marcaram uma passeata pelas ruas dos principais bairros de Palmas na hora do rush e uma concentração pública na Praça dos Girassóis às 12 horas. Mas desta sexta!!!!
A carreata passará pela Avenida Teotônio, depois entra em bairros residenciais da região Sul, no setor comercial do centro para finalizar na concentração.
Justamente na hora em que o trabalhador está no trânsito indo para o almoço.
Poderia a manifestação ser realizada no sábado? Poderia. O evento de Michele Bolsonaro, por exemplo, é no sábado pela manhã.
O PL pediu à prefeita Cínthia Ribeiro a Guarda Metropolitana. Bolsonaro não é mais presidente (e tem sua guarda pessoal paga a ex-presidentes feita por policiais federais).
Em tese o poder público não deveria dispender mais recursos e especialmente num ato explicitamente eleitoral. Mas e se um bolsonarista decide bolsonorar só para levar confusão a Cínthia?
E os bolsonaristas poderem “lacrar” uma suposta falta de liberdade de expressão? Ou tascar que o elemento fosse uma plantação dos adversários de Janad e de Bolsonaro!!!
Tudo isto sob as bênçãos dos 3 mil líderes evangélicos esperados para encontro na noite de hoje com o ex-presidente. Uma espécie de "louvor" eleitoral.
Deus nos ajude que desse manjá de crentes e políticos não derive mais pecados. Só o retrocesso da relação religião/Estado, num país laico.


