O governador Mauro Carlesse e o presidente do BNDES vão nessa terça ao Jalapão. Gustavo Montezano (BNDES) informou ontem que o banco pode destinar R$ 2,9 bilhões aos 139 municípios do Estado.

É um número relevante mas quase retórico na afirmação da ação social do banco. Cerca de 25,4% de todo o orçamento do governo para 2022. E diametralmente oposto aos estimados R$ 30 milhões que disse estude alocar para as concessões em curso no Tocantins.

O governador Mauro Carlesse deu o primeiro passo para as concessões que, não há dúvida, são fundamentais para o combate à pobreza na região, com a atração de investimentos. Deve, sim, administrar as resistências. Inclusive as vigarices que amplificariam que o governo estivesse vendendo o Jalapão.

Primeiro que não é entrega e sim uma concessão, arrendamento por um dado período. A área continuará pertencente ao Estado. E segundo, porque não é o Jalapão e sim parte dele escriturado ao governo do Estado, fora das reservas de quilombolas e populações tradicionais.

Na administração do problema, o governo deveria reduzir o papel do BNDES na comunicação com a população. Banco tem uma linguagem que a população entende como banco, juros, cobrança, contrato....linguagem técnica. 

A população é mais acessível a diálogos mais políticos e mais inteligíveis, mais próxima de sua realidade e que entende. Por exemplo: o que ganharão com isto. Por que do empresário que vir a ter a concessão e o BNDES já se sabe (ou é possivel estimar) de antemão os dividendos. No popular: imaginam que ficarão a lamber os beiços enquanto outros se fartarão. É balela esse negócio de proteção a quilombolas e populações tradicionais por que já protegidas.

O BNDES tem se comportado nas concessões como se fosse ele próprio o concedente, quando é apenas mais um banco que, por sinal, registrou um lucro líquido de R$ 20 bilhões em 2020. Só no primeiro trimestre de 2021, o lucro líquido registrado já alcançava a casa dos R$ 9 bilhões. A concessão é do governo.

Talvez favorecesse ao governo na condução do processo, buscar explicar à população, delinear a proposta colocada ontem, por exemplo, de destinação de parte da renda do concessionário aos diretamente atingidos (pousadas,quilombolas).

A resistência colocada se dá pela projeção de perdas, especialmente dos donos de pousadas, insuflados pelos “perueiros” de que poderiam ficar sem o “jabázinho” (garantia de alguma lotação) nos pacotes que cobram de R$ 3 mil a R$ 5 mil de cada turista.

Como se nota, uma questão menor dado que novos investimentos atrairão mais turistas que poderão ter o seu preço como elemento divisor. Ou seja, as pousadas, com os preços que praticam, terão garantia de lotação de classes de menor renda que, atraídas pelo Jalapão e pelo investimento, não disponham de condições para hospedar-se em grandes resorts.

Ou seja, não dependerão mais do jabá. E sim do seu próprio trabalho e da demanda que será aumentada.

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