A agenda de Wanderlei Barbosa tem sido positiva. No final de semana no Sudeste participou da abertura de uma empresa com investimentos de R$ 100 milhões.
Do ponto de vista jurídico de sua posição, tem-se conhecimento de que somente na última quinta-feira a defesa do governador afastado teria tido autorização para ter acesso a todo o processo. Circunstâncias concorrendo para sua administração.
Agora são mais três mil folhas para estudarem, favorecendo, a demora, por lógica, o governador interino, que ganha mais tempo para mostrar que o afastado não faria falta, provocando, por outro lado, premissa contrária: uma nova mudança, sim, o faria.
Com efeito, Wanderlei fez tratativas de empréstimo de R$ 320 milhões com BB para investimentos e tem se posicionado coerente acerca da concessão do Jalapão, um dos temas mais polêmicos.
Já tinha se reunido com empresários em Araguaína, mandou a LOA (R$ 11,4 bilhões) para a Assembléia e nesta terça entregou 24 tratores a municípios, ladeado por parlamentares estaduais e federais, sinalizando uma convivência política rara (quase inexistente) no governo do afastado Mauro Carlesse. É muita coisa para o tempo que teve de menos.
Dado relevante: no Orçamento protocolado na sexta não só manteve o programa Tocando em Frente (criado pelo governador afastado) como ampliou suas metas estruturantes, negando avaliações reacionárias, importando-se mais com a idéia do que com o idealizador.
São ganhos que, no entanto, podem esvair-se não administrando, o mais rápido possível, o governo a crise criada pela barbeiragem política na Secretaria de Saúde de limitar o atendimento no HGP ao determinismo das regras do Ministério da Saúde. E agora se sabe, sem comunicar ao Conselho Estadual, pegando de surpresa não só as prefeituras, mas a população do Estado.
E essa avaliação deve ser balizada mais por escrutínio político do que técnico e começar pela própria compreensão (e aceitação do bom senso) de que fechar o HGP da forma como se deu, é um equívoco até de natureza humanitária. Do tipo, erramos e pronto, vamos consertar.
Desde que foi inaugurado (há 16 anos) o HGP sempre foi, no papel, de média e alta complexidade. O problema é que Palmas, por exemplo, abriu mão do Hospital Maternidade (na Arso 51) para o HGP, na gestão de Raul Filho.
Criou-se as UPAs mas sem as especialidades do HGP. No Estado, elaborou-se a regulação (também do MS) que concorre mais para não atender do que o contrário, em função das distâncias, das deficiências municipais e da miséria social da maioria das cidades.
Pela norma do final de semana, se uma pessoa for atropelada na porta do HGP terá que ser transferida para a UPA Norte, de dois a três km adiante. Um deslocamento que pode custar uma vida.
A situação era até agora mais que entendida (como sempre fora), mas compreendida pela Secretaria de Saúde e pelos governos. Até porque a grande maioria dos recursos é provenientes do Sistema Único de Saúde, que tem como princípio a universalidade do atendimento na saúde pública.
Não tiveram a coragem de brecar os atendimentos para que o HGP não se mostre superlotado. Uma crise que, pelo que se sabe do governador interino, talvez não tivesse sido criada, já que por sua origem e carreira política é dado como político sensível e equilibrado. Vem da mesma classe social que necessita do HGP.
Especialmente num final de semana de feriado prolongado. Até nisso a barbeiragem não acertou na intenção. Mas acertou em cheio no governador interino.


