Sábado, 24 de Out de 2026

Barbeiragem da Saúde no HGP não contornada tem potência para criar 1ª crise no governo Wanderlei que vinha até agora colhendo ativos por elogiado desempenho na interinidade

16/11/2021 467 visualizações

A agenda de Wanderlei Barbosa tem sido positiva. No final de semana no Sudeste participou da abertura de uma empresa com investimentos de R$ 100 milhões.

Do ponto de vista jurídico de sua posição, tem-se conhecimento de que somente na última quinta-feira a defesa do governador afastado teria tido autorização para ter acesso a todo o processo. Circunstâncias concorrendo para sua administração.

Agora são mais três mil folhas para estudarem, favorecendo, a demora, por lógica, o governador interino, que ganha mais tempo para mostrar que o afastado não faria falta, provocando, por outro lado, premissa contrária: uma nova mudança, sim, o faria.

Com efeito, Wanderlei fez tratativas de empréstimo de R$ 320 milhões com BB para investimentos e tem se posicionado coerente acerca da concessão do Jalapão, um dos temas mais polêmicos.

Já tinha se reunido com empresários em Araguaína, mandou a LOA (R$ 11,4 bilhões) para a Assembléia e nesta terça entregou 24 tratores a municípios, ladeado por parlamentares estaduais e federais, sinalizando uma convivência política rara (quase inexistente) no governo do afastado Mauro Carlesse. É muita coisa para o tempo que teve de menos.

Dado relevante: no Orçamento protocolado na sexta não só manteve o programa Tocando em Frente (criado pelo governador afastado) como ampliou suas metas estruturantes, negando avaliações reacionárias, importando-se mais com a idéia do que com o idealizador.

São ganhos que, no entanto, podem esvair-se não administrando, o mais rápido possível, o governo a crise criada pela barbeiragem política na Secretaria de Saúde de limitar o atendimento no HGP ao determinismo das regras do Ministério da Saúde. E agora se sabe, sem comunicar ao Conselho Estadual, pegando de surpresa não só as prefeituras, mas a população do Estado.

 E essa avaliação deve ser balizada mais por escrutínio político do que técnico e começar pela própria compreensão (e aceitação do bom senso) de que fechar o HGP da forma como se deu, é um equívoco até de natureza humanitária. Do tipo, erramos e pronto, vamos consertar.

Desde que foi inaugurado (há 16 anos) o HGP sempre foi, no papel, de média e alta complexidade. O problema é que Palmas, por exemplo, abriu mão do Hospital Maternidade (na Arso 51) para o HGP, na gestão de Raul Filho. 

Criou-se as UPAs mas sem as especialidades do HGP. No Estado, elaborou-se a regulação (também do MS) que concorre mais para não atender do que o contrário, em função das distâncias, das deficiências municipais e da miséria social da maioria das cidades.

Pela norma do final de semana, se uma pessoa for atropelada na porta do HGP terá que ser transferida para a UPA Norte, de dois a três km adiante. Um deslocamento que pode custar uma vida.

A situação era até agora mais que entendida (como sempre fora), mas compreendida pela Secretaria de Saúde e pelos governos. Até porque a grande maioria dos recursos é provenientes do Sistema Único de Saúde, que tem como princípio a universalidade do atendimento na saúde pública.

Não tiveram a coragem de brecar os atendimentos para que o HGP não se mostre superlotado. Uma crise que, pelo que se sabe do governador interino, talvez não tivesse sido criada, já que por sua origem e carreira política é dado como político sensível e equilibrado. Vem da mesma classe social que necessita do HGP.

 Especialmente num final de semana de feriado prolongado. Até nisso a barbeiragem não acertou na intenção. Mas acertou em cheio no governador interino.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano