É cada vez mais nítido que a banca manda no país mais que o presidente eleito. E isto ocorre, em larga medida, pelo financiamento corporativo dos bancos a deputados federais e senadores que lhes dão sustentação no Congresso.
Por óbvio, um Banco Central autônomo não implica em um Banco Central independente. Não se tem um país a reboque de autoridade monetária. Do contrário, seria o rabo correndo atrás do cachorro. A agiotagem mandando no país, regrando o que a população pode comer e quando.
É indecente, afinal, uma taxa de juros anual de 13,75% numa inflação projetada de 4,10%. O Brasil segue com a maior taxa de juros do planeta: 7,54% reais.
E quem ganha com isto: os bancos. As quatro maiores instituições financeiras do país (Bradesco, Santander, Itaú e Banco do Brasil) registraram um lucro de R$ 22,7 bilhões no primeiro trimestre de 2023 (balanço publicado em maio). Isto projetaria R$ 90 bilhões de lucro ao ano.
Enquanto isto o Brasil passou a ter (dezembro/2022) 62,5 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza. Cerca de 17,9 milhões destes eram extremamente pobres. Ou seja: 29,4% da população do Brasil estava pobre e 8,4%, extremamente pobre. Significaria que entre cada 10 brasileiros, rês viviam abaixo da linha da pobreza e um em condição de extrema pobreza.
Ah, mas a inflação está caindo!!! Diria o economista da banca!! Sim e, tudo indica, pela redução da procura e aumento da oferta justamente pela falta de dinheiro. A inflação não era de demanda, procura maior que oferta.
No Estado, além de a falta de investimentos (em função alta taxa de juros para captação de recursos), a Selic implica no orçamento e, por consequência, no espectro social do Estado.
O governo teve que elevar o orçamento inicial para pagamento de juros da dívida de R$ 124 milhões (LOA) para R$ 198 milhões. Um reajuste de quase 60% em menos de seis meses: R$ 74 milhões a mais na previsão.
E por outro lado, nos primeiros cinco meses (balanço publicado ontem) só investiu R$ 341 milhões dos R$ 1,2 bilhões programados na Lei Orçamentária.


