Decorridos um ano das eleições e nove meses da posse, deputados federais do Estado do Tocantins são dados como governistas após elegerem-se na corrente bolsonarista anti-Lula e anti-PT.
O levantamento do UOL (publicado ontem) faz emergir um questionamento e outra confirmação. Justamente quando Jair Bolsonaro (ontem) antecipou Jair Renan (2024) e Michele (2026). Apesar da inelegibilidade, quer continuar no jogo.
No primeiro, o embate bolsonarista anti-Lula, anti-PT e anti-comunismo na campanha (direita e esquerda) no ano passado era falso como nota de 3 (como sempre foi na forma colocada).
No segundo, a confirmação: de direita ou esquerda, os parlamentares tem menos interesse por princípios partidários e ideológicos do que por dinheiro.
Na prática, querem é ser governo. E não combater um comunismo anacrônico e imaginário que tentaram incutir no eleitor.
Cotejando as duas posições, o estelionato eleitoral, do ponto de vista dos discursos, fundamentos teóricos e a prática é indiscutível. Uma práxis grosseiramente distorcida e repetida.
Sempre se poderá dizer, como o fazem, que a adesão se dá em troca de recursos para o Estado.Outra distorção: no país, o Executivo planeja e executa e o Legislativo legisla.
O Legislativo, entretanto, quer dividir o orçamento sem repartir o ônus da responsabilidade de sua aplicação. Para todo efeito, os problemas serão do governo. Com emendas liberadas e aplicadas ou não.
Com o discurso bolsonarista na ponta da língua, os principais partidos da base do ex-presidente no Estado (Republicanos/Podemos/PP/PL/PTB e UB) – que se diziam de direita – obtiveram nas urnas (com o discurso) 569 mil votos para deputado federal. Elegeram oito parlamentares na Câmara (unanimidade).
Já as principais legendas (consideradas de esquerda pelo bolsonarismo) – PT/PV/PSOL/PSB/Rede/Agir/Avante/PSDB/PCdoB) conseguiram atrair pouco mais de 200 mil eleitores. De outro modo, a direita (que adere ao governo de esquerda) teve no ano passado 71% dos 797 mil votos válidos.
E há casos extremos como dos pastores Eli Borges e Filipe Martins, do PL. Além de direitistas radicais, comungam fundamentos religiosos reacionários como a defesa do governo militar e resistências às pautas de gênero.
Engajados que agora estariam na pauta governista como se movimentavam com o ex-Jair Bolsonaro em favor do dízimo divino e imaculado e ainda podiam expressar suas "cavernices" intolerantes e anacrônicas.


