Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ayres inova: sem que titular renuncie na CCJ e na ausência do indicado, nomeia filho do vice-governador para relatar matéria de interesse do governo!!!A turma, se ainda o tinha, perdeu o bom senso de vez!!!

luizarmandocosta 27/02/2019 2029 visualizações

O deputado Ricardo Ayres parece disposto a afirmar sua história contradizendo o discurso que o catapultou à condição circunstancial de parlamentar.  Na prática, faz um revisionismo, sem reducionismo, da idéia de revolução que pregava na política regional.

Se no início de 2018 brigou para assumir a presidência da CCJ sem a renúncia do então presidente Olintho Neto e sem uma nova eleição como determina o Regimento Interno do Legislativo, fugiu agora, novamente, ao bom senso.

A indicação de um suplente e filho do vice-governador (sem que o titular tenha renunciado à vaga) para a relatoria da PEC dos Procuradores (de sua autoria) além da contrariedade ao Regimento, expõe interesses dissociados do público pagante.

Pode-se argumentar que a indicação fosse prerrogativa (como no Regimento) do presidente atendidos os blocos contemplados com os cargos da Comissão. Mas a indicação de suplente sem que o titular tenha renunciado e na ausência do próprio indicado, quando estariam presentes outros titulares, é daquelas situações indefensáveis.

Aliás, em tese, Ricardo Ayres, por questões éticas, não poderia sequer presidir a CCJ. Dentre as atribuições da comissão está a de analisar matérias relativas a desapropriações e registros públicos.

Ayres foi, como secretário municipal, o patrocinador do projeto de revisão do Plano Diretor da Capital na gestão Amastha que autorizou grandes proprietários de áreas na reserva permanente da Serra do Carmo fazerem loteamentos entre a Serra a TO e a cidade. Já há empresários vendendo lote na APP com o slogan de "lotes personalizados". E o que dizer das questões com os grandes empresários no raio do BRT!!!

Isto não tem nada a ver com a PEC do Procuradores mas indica falta de preocupação com os meios para se atingir fins determinados. De outro modo: o presidente da CCJ -como defendeu as alterações no Plano Diretor - estaria a serviço do Palácio Araguaia com a tal PEC.E já tem procurador receoso de dar opinião sobre assunto constitucional que lhes diz respeito por retaliações.

E se o Palácio quer indicar um comissionado para dirigir o jurídico do Estado, deve ver como benéfico um procurador cabo-eleitoral no cargo que siga sua vontade política e não a da lei - uma obrigação mais presente no efetivo por garantiria do emprego -  já que nem sempre ambas convergem para o mesmo ponto.

Agora, o filho do vice-governador, suplente na comissão, sem que o titular tenha renunciado, ser escolhido para relatar matéria de interesse do governo em que o irmão é o vice,  é o "ó do borogodó" capaz de envergonhar qualquer um que tivesse a vergonha como limitador dos instintos.

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