Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Auxiliares da prefeita "obram" Eli Borges de vítima e tonificam deputado mais votado da Capital com o dobro de votos do 2º colocado

luizarmandocosta 13/09/2020 419 visualizações

Não é difícil descobrir ganhadores e perdedores na não autorização, por parte da Prefeitura, da convenção do Solidariedade ontem, em sistema drive-in, fundamentada no decreto que proíbe aglomerações.

Antes importa anotar que o Podemos realizou sua convenção na Capital na semana passada no mesmo sistema drive-in e não foi incomodado pela preocupação sanitária da Prefeitura. No país inteiro, convenções são realizadas no formato.

O Solidariedade diz que fez o pedido há dez dias (não há por que duvidar, deve ter protocolo de entrada). E que a prefeitura só o negou na sexta, um dia antes da convenção. Deixou por dez dias o partido correr frouxo e a legenda de Eli Borges aceitou a falta de autorização como se autorização concedida fosse.

Uma pessoa não pode estabelecer um fundo de comércio apenas com o pedido de autorização de funcionamento. Tem que ter o carimbo de ok. Adequar-se às normas e formas.

De igual modo, conhecendo ser uma convenção partidária para escolha de candidatos a prefeito, os técnicos da prefeitura teriam como conduta mais adequada orientar o Solidariedade para correção do que estivesse fora das normas. Uma de suas funções.

E não enquadrar o pedido na undécima hora de forma até mesmo discricionária no decreto do município. Algo que deve ter exigido esforço retórico já que pessoas dentro de veículo e na quantidade adequada, não constituem aglomerações, como aprovado nas convenções do tipo em todo o país. Tanto o modelo drive-in quanto drive-thru são reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Pode ter acontecido que um técnico mais afoito tenha "obrado" a negação controversa mais de olho nos seus desdobramentos que nos termos do decreto municipal 1.856 (de março/2020, antes da regulamentação das eleições pelo TSE), imaginando, numa análise primitiva, beneficiasse a chefe.

Se raciocinasse com o cérebro, concluiria que estaria transformando um adversário em vítima, empurrando-lhe compaixão (e votos) da população. Além de submeter-se a questionamentos jurídicos óbvios e mais desgaste à prefeita.

É, entretanto, de difícil compreensão e entendimento que o pedido de convenção de um candidato de partido adversário da prefeita não tenha sido escrutinado por auxiliares da prefeita e pela própria chefe do Executivo, candidata à reeleição. E que fosse possível a prefeita dizer que não sabia de nada.

Não há qualquer dúvida, do ponto de vista político: Eli Borges saiu de vítima perseguida e Cínthia Ribeiro, a prefeita perseguidora. Confrontado com a forma escolhida pelo Solidariedade para sua convenção, a mesma do Podemos, autorizado pela prefeitura.

Evidentemente a campanha da prefeita, com a decisão dos técnicos da prefeitura contra o Solidariedade, manda um recado à população na medida em que sugere ser Eli Borges um candidato a combater-se com maior rigor (e vigor) que Alan Barbiero, do Podemos.

Não se pode dizer que não esteja certa na avaliação, ainda que o apontado uso (publicado por Eli) da prefeitura na campanha concorra para levar ônus à candidata do PSDB. E se um perde, outro ganha.

De outro modo: a coordenação política de campanha da prefeita deve entrar logo em cena. Caso contrário, prejuízo de monta. Não é de hoje que um grupo próximo da prefeita (que imagina conhecer de política com dois anos de cargos burocráticos) dá passos sem pensar.

Cavando crises desnecessárias que encobrem o grande trabalho que a prefeita tem feito na cidade. Eli pode fazer a convenção em outro dia. Mas já ganhou por duas.

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