Diferente de deputados federais e senadores que escolhem empurrar com a barriga a violência nas escolas, impulsionada pelo uso criminoso das redes sociais, o Legislativo estadual faz audiência pública sobre o assunto nesta quinta.
O pedido é de autoria do deputado Eduardo Mantoan. Com fundadas razões: no ano passado 80% dos professores já havia sido vítima de violência nos locais de trabalho.
Só de janeiro a agosto teriam sido registradas mais de 100 boletins de ocorrência de lesão corporal e ameaça nas escolas do Estado.
Por outro lado, os maus tratos a crianças e adolescentes aumentaram (Anuário de Segurança Pública/22) 15,3% entre 2020 e 2021.
Já os estupros de vulneráveis cresceram 24,2% entre 2018 e 2021. Os dados da violência doméstica também não são irrelevantes: aumentaram no Tocantins 17,9% também entre 2018/2021.
É, como se nota, o Estado território fértil para a violência que pode extravasar lá nos estabelecimentos de ensino.
Com um agravante: de 2019 a 2021 o número de armas registradas no Tocantins aumentou 50%. Em 2021 já eram 12 mil e 770 armas de fogo nas mãos de pessoas comuns, regra geral sem treinamento para delas fazer uso.
Ou à disposição para qualquer explosão de incompreensão, intolerância ou simples reflexo de estados psicológicos.
O problema da audiência, portanto, não é falta de boas intenções ou justificativas para sua realização.
E sim de complemento: deputados, via de regra, realizam audiências que terminam por não apresentar qualquer consequência prática.
E ai o desafio de Eduardo Mantoan e da Comissão de Cultura e Desporto: inverter esta lógica.


