O PSDB reelegeu ontem o ex-senador Ataídes de Oliveira presidente regional do partido. Era o resultado esperado dado que o ex-senador conseguiu formar muitas das comissões do partido. Ataídes detém o voto da maioria dos convencionais, como ficou comprovado.
A convenção, entretanto, passou a impressão de que o ex-senador tivesse como finalidade não a sua reeleição, posto garantida, mas uma declaração de guerra à prefeita Cínthia Ribeiro com as decisões a ele atribuídas de que estaria disposto a disputar a prefeitura de Palmas daqui a um ano e meio.
Ou mesmo a outro prefeito, Laurez Moreira. Palmas e Gurupi representam o primeiro e o terceiro maiores colégios eleitorais do Estado. Ambos não deram apoio a Ataídes por motivos conhecidos e realçados pelo próprio ex-senador, numa confusão de afetos partidários e políticos.
E aí, convencionais e prefeitos que o acompanharam estariam sendo usados como bucha de canhão já que a finalidade oficial da convenção seria outra e não lançamento de candidaturas. Um instrumento de Ataídes no enfrentamento à prefeita de Palmas e contrário à orientação nacional do partido que, por óbvio, o mínimo que pode fazer é garantir legenda à prefeita da Capital na sua pretensão de disputar a reeleição, na inexistência de candidaturas natas.
Deve fiar-se o ex-senador, evidentemente, nos 13,99% dos votos da Capital que obteve no ano passado na disputa pela reeleição no Senado (13,34% em todo o Estado) e que não obteve êxito. Ficou atrás, entretanto, apenas do senador Eduardo Gomes (16,7% em Palmas), mas a quinta votação no Estado.
O que não deixa de ser um avanço comparado aos 3,59% dos votos do Estado que obteve nas eleições de 2014. Mas Cínthia já é prefeita e a legislação não permite mais de um candidato por partido.
O horizonte do PSDB projetado ontem é, portanto, de muita confusão. Não bastasse o partido em nível nacional estar discutindo fusões, regionalmente a Executiva nacional pode ser levada a intervir no diretório para garantir legenda à prefeita desde já ameaçada pela intenção de Ataídes de ser o candidato. De outro modo: Ataídes termina por abrir mais divergências internas, encurtar o mandato de Cínthia, prefeita de uma Capital e filiada a seu próprio partido, negando-lhe no pretende, legenda partidária.
Evidente que quem define candidaturas partidárias são as convenções. Seria, entretanto, inequívoca demonstração de insanidade e falta de bom senso, um partido abrir mão de uma prefeita de capital com boa aceitação na cidade, sem arestas com ninguém, fazendo obras no município, e embarcar numa candidatura que, de pronto, já nasceria com uma imposição de divergências de natureza mais pessoais que partidárias ou de projetos.


