A assertividade do governador Mauro Carlesse contrasta com a atuação dos governadores anteriores. O contrato com a Caixa para implantação de um aeroporto no Jalapão (São Felix) –recursos de emendas do deputado federal Carlos Gaguim - e o financiamento (de R$ 130 milhões a ser contraído com o BB) para pavimentação de acesso ao mais internacional dos pontos turísticos regionais, diz bem disso.
É inegável o avanço. Não se pode retirar dele substância conectando-o a outros problemas que a administração enfrenta. Pelo contrário: eles não estariam paralisando o governo no que ele tem de bom: iniciativa e vontade política.
Nos 32 anos de Estado, governadores se revezaram na proposição de medidas na região do Jalapão. E, apesar do inestimável potencial turístico, é uma das regiões mais pobres e desassistidas do Estado. Para desassossego dos turistas e vergonha regional e nacional.
Um destes governadores até mesmo fez dali refúgio após deixar o Palácio. Não conseguiu, como tencionava, convencer ex-secretários a acompanhá-lo no retiro. Criou até uniforme para Secretários de governo (como as surradas batas maoístas) e deu-lhe o nome de Jalapa que hoje é também designação de uma cerveja. Retornou ao governo e a situação manteve-se na perene miséria. Tanto de infraestrutura quanto social.
O Jalapão atraía atenção internacional (até séries estrangeiras ali foram filmadas), o Capim Dourado ganhou o mundo, novelas globais fizeram dali cenário, cineasta rodaram filmes em São Félix, multiplicando o número de turistas. E nada de ação governamental que não intenções.
Com 21 meses (menos de dois anos) no governo, Carlesse aponta pragmaticamente para a infraestrutura do Jalapão. Depois de viabilizar a ponte sobre o rio Tocantins em Porto Nacional, também levada no gogó por pelo menos três ex-governadores em dez anos.
E com base argumentativa: pesquisa da Confederação Nacional do Comércio revela que em 2019 o setor do turismo movimentou no ano passado no Brasil o montante de R$ 136 bilhões. O maior rendimento nos últimos quatro anos. Já o IBGE apontou um crescimento de 2,6% no setor.
Outra pesquisa (Booking) mostrou que " 75% dos viajantes brasileiros pretendem fazer escolhas mais sustentáveis nas suas viagens. Esta atividade turística aplica atitudes de preservação e cuidado com a natureza. Além disso, também propicia apoio aos negócios locais e fomenta projetos culturais da região."
A assertividade de Mauro Carlesse segue, muito apropriadamente, este fluxo.


