Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Às véspera de lei de incentivo fiscal entrar em vigor, frigoríficos do Estado ameaçam alta de preço na carne contra redução do valor do produto no país

luizarmandocosta 10/02/2020 464 visualizações

Os frigoríficos do Estado não tem jeito. As exportações de carne do Estado cresceram em janeiro 124%, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior. Empresário tem que ganhar dinheiro mesmo, é por isto que faz investimento. Mas o capital  não pode matar o consumo sem o risco de inviabilizar seu próprio negócio. E aí o bom senso deveria ser conselheiro.

Na contramão da economia nacional, entretanto, a indústria da carne tocantinense ameaça novamente, nos bastidores políticos, elevar o preço do produto quando, no país, ele teve redução em janeiro de 4% contra o aumento de 18% de dezembro (28,5% nos últimos seis meses).

A estratégia dos frigoríficos objetiva mudar a taxação de impostos do governo. A lei em que o governo altera os incentivos fiscais dos frigoríficos entra em vigor agora em março.

Nela, a alíquota do ICMS dos frigoríficos passa de 1% para 3,5% na circulação interna de carne sem osso e 4% na carne com osso. Dos portos aos países, os frigoríficos já não pagam nada por força da Lei Kandir.

Só nessa mudança aí, o governo conseguiu reaver R$ 300 milhões que ficariam com os frigoríficos nas renúncias fiscais praticadas no Estado há anos. Sem qualquer comprovação de contrapartida, como aponta o Tribunal de Contas.

Eles também já foram beneficiados com a elevação da alíquota para transporte de gado em pé interestadual.

Ou seja, maior imposto leva o produtor a ser obrigado a comercializar seu produto com os frigoríficos do Estado que terminam determinando o seu preço.

Como uma nova lei, com índice maior, pelo princípio da anualidade tributária, se editada agora, só valeria em 2021, o novo preço da carne não seria mais só ameaça, mas uma realidade praticamente definida. Apesar do viés de queda em nível nacional.

Mas eles não querem nem saber: começam a ameaçar elevar o preço nos supermercados. Uma falácia porque, como é notório, o preço nos açougues já é determinado pela oferta e procura e que, no caso, beneficia os frigoríficos que compram o gado para mandar para o exterior.

De qualquer forma a turma vai bem: tem benefício para exportar e ganha no preço interno em função da oferta e procura influenciada pelas exportações que a não cobrança de imposto incentiva.

Resultado: o quilo de  carne de primeira (conforme última pesquisa do Procon Tocantins) a R$ 59,99 (filé) ou os R$ 45,00 da alcatra. Com o equivalente ao preço de 15 quilos de arroz comprando-se apenas 1 kg de carne

Um faturamento de mais de R$ 100 milhões só em janeiro.

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