Os frigoríficos do Estado não tem jeito. As exportações de carne do Estado cresceram em janeiro 124%, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior. Empresário tem que ganhar dinheiro mesmo, é por isto que faz investimento. Mas o capital não pode matar o consumo sem o risco de inviabilizar seu próprio negócio. E aí o bom senso deveria ser conselheiro.
Na contramão da economia nacional, entretanto, a indústria da carne tocantinense ameaça novamente, nos bastidores políticos, elevar o preço do produto quando, no país, ele teve redução em janeiro de 4% contra o aumento de 18% de dezembro (28,5% nos últimos seis meses).
A estratégia dos frigoríficos objetiva mudar a taxação de impostos do governo. A lei em que o governo altera os incentivos fiscais dos frigoríficos entra em vigor agora em março.
Nela, a alíquota do ICMS dos frigoríficos passa de 1% para 3,5% na circulação interna de carne sem osso e 4% na carne com osso. Dos portos aos países, os frigoríficos já não pagam nada por força da Lei Kandir.
Só nessa mudança aí, o governo conseguiu reaver R$ 300 milhões que ficariam com os frigoríficos nas renúncias fiscais praticadas no Estado há anos. Sem qualquer comprovação de contrapartida, como aponta o Tribunal de Contas.
Eles também já foram beneficiados com a elevação da alíquota para transporte de gado em pé interestadual.
Ou seja, maior imposto leva o produtor a ser obrigado a comercializar seu produto com os frigoríficos do Estado que terminam determinando o seu preço.
Como uma nova lei, com índice maior, pelo princípio da anualidade tributária, se editada agora, só valeria em 2021, o novo preço da carne não seria mais só ameaça, mas uma realidade praticamente definida. Apesar do viés de queda em nível nacional.
Mas eles não querem nem saber: começam a ameaçar elevar o preço nos supermercados. Uma falácia porque, como é notório, o preço nos açougues já é determinado pela oferta e procura e que, no caso, beneficia os frigoríficos que compram o gado para mandar para o exterior.
De qualquer forma a turma vai bem: tem benefício para exportar e ganha no preço interno em função da oferta e procura influenciada pelas exportações que a não cobrança de imposto incentiva.
Resultado: o quilo de carne de primeira (conforme última pesquisa do Procon Tocantins) a R$ 59,99 (filé) ou os R$ 45,00 da alcatra. Com o equivalente ao preço de 15 quilos de arroz comprando-se apenas 1 kg de carne
Um faturamento de mais de R$ 100 milhões só em janeiro.


