Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Artigo do Secretário de Comunicação parece querer reforçar o governo do Republicanos sugerindo a dedução que, apesar da obra, desempenho político necessitaria de reciprocidade. Só se reforça, pela lógica, aquilo que precisa de mais força

28/04/2024 715 visualizações

O secretário de Comunicação do Estado, jornalista Márcio Rocha, circulou ontem (leia no post anterior) um texto em que disserta sobre potencial desempenho do governador Wanderlei Barbosa nas eleições deste ano.

O texto (que não foi retransmitido pela correia de transmissão da Secretaria de Comunicação) teve tratamento de setores da imprensa como se fosse uma informação de governo (release).

Quando, a priori, representasse tão somente a avaliação do secretário - com informações dele e do governo - de sua posição de filiado ao Republicanos. E não do governo do Republicanos. No popular, um artigo.

A antevisão da confusão interpretativa era latente. A informação estava lá e se era divulgada pelo jornalista-secretário não haveria dúvidas quanto à sua veracidade.E não há.

Elas existiriam na dedução hipotética de que um Secretário de Governo estivesse fazendo divulgação de ações partidárias em ano eleitoral sob a função que ocupa. Mas os portais as divulgaram sem a explicação necessária.

O problema se dá, em certo grau, devido à posição de Wanderlei Barbosa de ser governador e presidente do Republicanos ao mesmo tempo.

E há momentos em que se tem que brigar. Defender o governo, defender o partido. Você já viu um deputado ou senador sair defendendo Wanderlei das críticas pesadas do senador Irajá Abreu? Pois é.

Lula, líder maior do PT, deixou o partido ser comandado por Gleysi Hoffmam. Há horas em que o partido tem que tomar posição. E o governador não pode criar atritos para governar. Nem sair por aí filiando prefeitos.

O Secretário deve ter suas razões para expor idéias a público agora como pessoa física sobre o Republicanos e governo, reforçando as campanhas publicitárias e dando gás à cobertura da movimentação de Wanderlei que já o faz como pessoa jurídica. É do jogo.

Mas expõe, por consequência, os políticos com mandato que se omitem na defesa do governo Wanderlei, ocupados que estão em outras negociações de rotina.

Dentre elas, cooptar prefeitos do Republicanos e a agenda econômica e política do Estado. Legítimo, mas concorrente com a pauta palaciana.

Em larga medida tem razão o Secretário quando avalia o governo. Noutras o coração fala mais alto: Wanderlei teria popularidade recorde, pontua.

Ou que Wanderlei “nutre um amor incondicional pelo seu povo”. Siqueira Campos e Rezende Monteiro devem ter remexido no túmulo.

O governo Wanderlei (é fato) tem o melhor desempenho fiscal dentre os governos que passaram pelo Palácio Araguaia. Aponto isto aqui diariamente. Com números públicos e oficiais.

Paga servidores e fornecedores em dia, resolveu os passivos dos funcionários e do Igeprev, gasta menos do que arrecada e tem superávits recorrentes. E não se vê denúncias de desvios de recursos públicos. É, indiscutivelmente, popular. Não se movimenta, no comando do Estado, como um "príncipe" e seus cortesãos.

Mas se vê acossado eleitoralmente nos principais colégios eleitorais do Estado: Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso, onde terá que se esforçar para não deixar as prefeituras no União Brasil, MDB, PL e PSD, PSB ou Podemos.

O Republicanos elegeu apenas um prefeito nas eleições de 2020. O Secretário – no artigo – cita que o partido hoje teria 43 prefeitos candidatos à reeleição. Um crescimento e tanto. Mas um número ainda menor do que UB, PL e PSD juntos. Partidos que foram consortes dos governos que deixaram o buraco nas contas que Wanderlei conseguiu cobrir. E que acenam ter seus próprios projetos políticos para 2026.

Faltaria, algo, portanto, para fazer a conexão entre a obra e o partido. Talvez dificultada pelo fato de Wanderlei ser ele próprio o presidente do Republicanos e sua base de apoio seja fluída, se movimentaria como as caravelas de Cabral.

Mas é operação que um Secretário estaria, legalmente, impossibilitado de realizar.

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