O lucro de R$ 45 bilhões da Petrobras no primeiro trimestre de 2022 (do quais R$ 14 bilhões cairão nos cofres do governo federal, o maior acionista) é incompreensível diante do aumento do custo de vida que, em absoluto, seria apenas dano colateral e sim efeito consequente cujo preço dos combustíveis é a causa.
A clareza solar da equação contrasta com o desgoverno que ora culpa a Petrobras, noutras o dólar e o preço do barril que, ao contrário, tem tido o valor reduzido. Se a política de atrelar os preços dos combustíveis ao dólar leva lucro aos acionistas da empresa (subordinada também à política estatal), prejudica a economia, impondo maiores dificuldades aos mais pobres.
De forma que o teatro de Jair Bolsonaro (presidente da República) ora criticando, ora dizendo respeitar as decisões da empresa e, quando não, impondo a responsabilidade do preço ao valor do ICMS cobrado pelos Estados, não passaria de diversionismo já que como maior acionista o governo federal poderia, pelo menos, subsidiar o preço com o lucro que lhe é distribuído: R$ 14 bilhões só no primeiro trimestre de 2022.
Ademais, o preço médio ao produtor final (usado para cálculo do ICMS) está congelado desde outubro do ano passado, tendo sido prorrogado em março para junho deste ano. No Estado, o ICMS dos combustíveis levou aos cofres públicos no mês de abril de 2022 a importância de R$ 142 milhões. É um valor maior do que os R$ 96 milhões de abril de 2021.
O crescimento de 47,9% na arrecadação é maior do que a elevação de 34,2% (Pesquisa Procon) nos preço da gasolina nos postos de combustíveis da Capital.


