A pesquisa IPEC (divulgada neste domingo por O Globo) deveria preocupar o Partido dos Trabalhadores. Por ela, o governo Lula recebeu, agora, (pesquisa realizada de 2 a 6 de março) aprovação de apenas 41% dos brasileiros.
É um índice oito pontos percentuais menor do que os 49% (de março de 2007/segundo governo Lula) e dez pontos percentuais a menos do que os 51% de março de 2003, primeiro governo petista.
Lula parece ter percebido o humor do brasileiro e promove, diariamente, ações que sugerem uma inflexão ao centro e à direita (pretextando governabilidade).
Desloca-se fazendo uso do centralismo democrático que a direção nacional do partido, paradoxalmente, não só o permite, mas legitima, como se pudesse observar sintonia entre governo centralizador e governo democrático. Vide o contubérnio com o Centrão e os bolsonaristas.
E aí o confronto inevitável com o programa partidário e o marxismo-leninismo petista. Mais profundo que a própria contradição petista de negar a mudança, para melhor, que o regime militar (que combatem) operou, do ponto de vista econômico, no proletariado brasileiro.
Lula, mesmo ele, um produto das fábricas geradas pelo “milagre econômico” do governo Emílio Garrastazu Médici/Delfim Neto. Proletariado que, em absoluto, até então (Lula incluso) não havia organizado, de forma sistemática, uma luta política. Lula, no sindicato, criticava partidos políticos, priorizando a luta sindical corporativa por salários.
Pode residir aí o conservadorismo de Lula (que na linguagem marxista seria reacionarismo como oposição ao revolucionário), ingrediente relevante para os números da pesquisa Ipec.
E que petistas mais influentes disseminam como pragmatismo do presidente quando, de fato, seria um reacionário em relação ao programa do PT. E revolucionário ao agregar o conservadorismo de direita ao governo de esquerda. E ainda ser defendido pela militância partidária.
De outro modo: o PT no governo pode até estar querendo apenas a governabilidade. Mas Lula mantém o seu eixo político que nunca abandonou desde o chão das fábricas.
Esse conflito pode aprofundar-se caso o governo não cumpra o que prometeu em campanha. Isto implica que na próxima pesquisa, ter-se-á a resposta se a inflexão à direita de Lula deu ou não certo para o país, que é o que importa.
Por que para o PT, como partido, cada acerto em direção à direita é um erro à sua esquerda. Daí os petistas do Estado não serem portadores de argumentos e fundamentos para enfrentar o direitismo conservador do presidente regional do partido, ex-deputado Zé Santana que praticamente, entregou (em troca de cargos posto a incompatibildade absoluta dos programas e ideologia partidários) o PT no Estado ao bolsonarismo do Republicanos.


