Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Aprovação aferida por AtlasIntel nas redes anima Palácio a trocar, na propaganda, governo de Wanderlei, da aprovação da Veritas em 2023, para governo do Republicanos. Executivo parece acordar para supremacia do PSD, PL, PP e UB nas prefeituras

07/01/2024 836 visualizações

Os aliados do Palácio Araguaia disseminam, com justos motivos, a Pesquisa AtlasIntel (divulgada na manhã de ontem neste blog) que aponta ao governador Wanderlei Barbosa o segundo melhor índice de aprovação dentre os 27 governadores do país. E a menor rejeição. Talvez este, observada a metodologia da pesquisa, melhor resultado que aquele.

Wanderlei faz, indiscutivelmente, um bom governo. Aponto isto aqui desde o início de 2022 sendo, por isto, não raro tratado como governista quando apenas dava (como continuo no mesmo lugar) relevância aos números da execução orçamentária. Apontava-os também quando negativos nos governos anteriores.

E isto ocorre porque Wanderlei não só deu seguimento ao ajuste fiscal iniciado por Mauro Carlesse, mas o aprimorou. Foi o ex-governador que girou a chave. Inteligente e perspicaz, Wanderlei foi adiante, escutou os técnicos e viu a relevância de gastar menos do que arrecada.

Há nas celebrações a partir de ontem, entretanto, recortes que merecem considerações. No primeiro, os aliados do governo passaram a proclamar que o resultado (de ontem) seria da administração do Republicanos. Até nota fizeram circular.

Diferente da reação naqueles 87% de aprovação (primeiro lugar) do Instituto Veritas do ano passado quando o governo Wanderlei Barbosa, na divulgação do feito, subordinava o partido. O partido Republicanos era só uma questão acidental, muito embora sem partidos não se possa disputar eleições no Brasil.

O resultado era de Wanderlei, do Republicanos. E não do governo Republicano de Wanderlei. Uma diferença relevante. O partido já tinha àquela época (2023) três deputados federais e sete deputados estaduais.

Os palacianos descobriram, agora, que a roda gira. E que UB, PL, PSD, Podemos e PSB são partidos que tem mais prefeitos (contra o próximo de zero do Republicanos) e que podem dar um baile no governador nas eleições municipais deste ano. Apesar das transferências de recursos estaduais.

E no momento em que os prefeitos nadam de braçadas com recursos federais destinados pelo governo Lula para distribuir comida nos municípios. Dinheiro e voto na veia diretamente. Podem fazer a política de votos municipal sem o Palácio.

E o Palácio, como óbvio, se quiser investir no município terá, necessariamente, que fazer convênio com os prefeitos. Governos não podem entrar no  município sem este aval. A não ser que em imóvel do próprio governo. O que não é o caso de ruas e praças.

Com potência para anular os resultados desta pesquisa de aprovação feita pela AtlasIntel com usuários das redes sociais. Apenas um fragmento da população num território de fácil manejo como é notório. Influenciado mais pela interação nas redes do que pelo conhecimento do trabalho considerável efetivamente realizado pelo governador. Uma reação mais atinente ao território dos afetos, dos "emojis" que reconhecimento de méritos.

Falta agora aos assessores de Wanderlei aceitar (e convencer o Chefe do Executivo) que o “influencer” e “cantor” Evoney Fernandes já fez o seu papel com a elevação de 75 mil (março/23) para 100 mil (dezembro/23) dos seguidores do governador nas redes, atrelado ao “homem do tá no grale”.   Um personagem tido engraçado, mas ignorante e trapaceiro. O Seu Osmar que, em absoluto, seria, pelos predicados que o popularizaram, pré-configuração do perfil do tocantinense nativo.

A estratégia possibilitou, entretanto, a superação daquela pesquisa que apontava Wanderlei – também no ano passado - com um dos piores desempenhos nas redes sociais. A reação surtiu efeito.

Mas a hora é do “vamos ver” nas ruas onde quem manda é o prefeito e o vereador dos partidos.

No segundo plano, os palacianos, ao invés de comparações com Ronaldo Caiado e as contas do governo goiano, deveriam, com o desempenho fiscal e financeiro do governo Wanderlei, passar a fazer um planejamento mais adequado, setor onde há deficiências explícitas.

Vai para um mês que os deputados aprovaram o orçamento de 2024 e a administração ainda não o sancionou. Atraso na execução orçamentária e, claro, na  execução do que se teria supostamente planejado.

Em um ano, além disso, o governo conseguiu dos deputados aprovação de empréstimos bancários que somam R$ 2,7 bilhões para investimento.Um endividamento controverso dadas as avaliações de necessidade.

Resultado do desempenho eficiente, o governo, contrariamente, registrava no 2º quadrimestre (agosto/23) – o do 3º quadrimestre tem até 30 de janeiro/24 para publicar – disponibilidades de caixa de R$ 3,394 bilhões.

Fechou 2022 (primeiro ano totalmente de Wanderlei) com investimentos e aplicações temporárias de curto prazo em bancos da ordem de R$ 3,8 bilhões. Um equivalente de caixa (ativo circulante) de R$ 3,1 bilhões. São dados públicos dos balanços contábeis publicados pela Secretaria da Fazenda.

Ou seja, algo em torno de R$ 6 bilhões em dois anos. Caixa que não tem correspondência igualitária com o desempenho nas obras e benefícios à população, que se dá em pequenos empreendimentos aqui e acolá e, regra geral, na recuperação de rodovias. Contra o aumento de 32% nas despesas brutas de pessoal em 2022.

Com efeito, a única obra física de vulto em curso é a ponte sobre o rio Tocantins em Porto Nacional, contratada no governo anterior com empréstimos de R$ 150 milhões do Banco Regional de Brasília. 

Ainda que se dê a Wanderlei o fato de estar há apenas dois anos no governo, aquilo que abunda na arrecadação nos cofres públicos, sofre escassez no planejamento e na sua execução. Apesar dos propalados PPAs.

E isto não é pesquisa de rede social que irá demonstrar o Estado, sob a ótica do poder público, “dando passos largos para o desenvolvimento”.

O governo tem a faca e tem o queijo. Mas anda faltando iniciativa mais assertiva para cortá-lo. As eleições municipais pode precipitá-lo a fazê-lo.

Tá no grale.

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1 Comentário(s)

Carlos 07/01/2024

É compreensível essa colocação do blog quanto a quantidade de prefeitos em cada partido, até porquê deputados e senadores cobram mesmo o apoio em cima das emendas liberadas, Iraja que o diga, ele faz não é cobrar o apoio, ele persegue o prefeito alegando as emendas destinadas por eles. Só que na eleição passada ele ficou em quarto lugar para governador usando essa tática, arrumou confusão com vários prefeitos e ex-prefeitos. Em 2026 os prefeitos que estão pegando as emendas dele pode esperar a bordoada, ainda mais agora que ele tá desesperado .

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