A senadora Dorinha Seabra (UB) recebeu na última segunda-feria – diz o grupo governista - “forte apoio” de lideranças do setor produtivo.
Na verdade, seria mais assertivo dizer que obteve o apoio de “fortes lideranças” do setor produtivo. A ordem dos fatores, aqui, altera a soma.
De todo modo, saiu à frente de Vicentinho Jr (PSDB) e Laurez Moreira (PSD) que, ou sugeriam contar com os produtores rurais ou, na dúvida, acenavam com mais benefícios à classe, caso eleitos.
Os três no Estado repetem a polarização do agro-nacional com o presidente Lula. Apesar do Plano Safra de meio trilhão de reais do governo federal para 2026.
O agronegócio no Tocantins (produção, industria de transformação, comércio e serviços derivados e exportações) é responsável por 70% de todas as riquezas produzidas no Estado por ano.
A categoria tradicionalmente é unida nas reivindicações, mas dividida nos apoios. Ficou dividida em vários governos (Carlos Gaguim, Marcelo Miranda e Siqueira, para ficar só nestes).
E por diversas razões: Fundeagro, disputa sindical (Aprosoja quis enterrar a Faet) e inclinações político-partidárias. Dorinha conseguiu reuni-los na segunda. O desafio é mantê-los unidos.
Quem não se lembra do presidente da Federação, suplente de deputado federal Junior Marzola (aliado de Kátia Abreu que defendia Siqueira) liderando caminhadas por Carlos Gaguim.
Ou os movimentos dos sindicatos contra os frigoríficos pelo preço do boi gordo.
Chegaram a assar boi no rolete na Capital (em frente ao Sindicarnes) prometendo doá-lo a instituições de caridade quando pronto.
Dormiram à noite e a carne estragou, passou ou perdeu o ponto. Tiveram que doar o valor em dinheiro.
Os jornalistas que cobriam o evento não perceberam a manobra. E o preço da arroba pago pela indústria não foi alterado.
Sindicarnes (frigoríficos), Aprosoja (soja) e Federação da Agricultura (sindicatos rurais) – que movimentam o agro – brigam, politicamente, entre si historicamente.
Tê-los, juntos, de um mesmo lado, acrescenta. E muito. Potenciais e estimados 400 mil votos agregados.
É um grupo que não tem motivos para mudar governo. De janeiro a março deste ano, o Estado arrecadou R$ 1,391 bilhões de ICMS de 54 mil contribuintes normais.
Os 85 mil contribuintes individuais produtores rurais recolheram apenas R$ 8,39 milhões. A Fazenda registra 139 mil contribuintes.
Na circulação interna, recolhem (quem paga é o consumidor) imposto de 1% e 2%. Na exportação (que movimentou R$ 16 bilhões no ano passado), zero imposto.
E agora o governo os isentou de 1,2% do fundo estadual de transportes.
A alíquota geral de ICMS (inclusive aquela lá no mercadinho da esquina) do Estado é 20%.



