Segunda-feira, 11 de Mai de 2026

Apoio "Denorex" de Wanderlei a Dorinha remete a FHC/Serra em 2002. Só que lá, Fernando Henrique fez uso do princípio da igualdade de condições e optou por terminar seu governo e entregá-lo ao sucessor sem defender continuísmo

11/05/2026 81 visualizações

Vou na contramão: Wanderlei Barbosa pode estar certo em não entrar de cara na campanha da senadora Dorinha Seabra.

Não apenas por princípios democráticos de respeito à igualdade de condições dos candidatos, mas também por seu próprio projeto político, se o tem.

Ele tem sido cobrado por  mais participação no palanque de Dorinha onde qualquer riacho de ausência é um oceano.

Mas tem dito reservadamente que apoiaria Dorinha Seabra mas ela não seria sua candidata.

Não precisaria de reserva alguma para isto. Wanderlei defendeu Amélio Cayres por dois anos. E as circunstâncias da mudança de candidato (após afastamento) são plenamente conhecidas.

Defender o continuísmo, por outro lado, interessaria pragmaticamente (obras e estrutura) mais ao grupo do que à população que tem, nas urnas, o instrumento para julgar o trabalho daquele que elegeu.

Se o político necessita convencer o eleitor da extensão de seu projeto e sua continuidade, é porque o seu projeto não fica em pé sem a sua retórica. Não atinge o cidadão na plenitude de suas carências.

E acoplar um projeto diferente (do governo aliado) dando-lhe um rosto de continuísmo Denorex, pior ainda. Mesmo entregando parte da administração ao candidato aliado.

Bem fez Fernando Henrique Cardoso (que patrocinou a reeleição) que preferiu administrar seus últimos meses de governo no segundo mandato,  a subir no palanque do tucano José Serra contra Lula em 2002. E olha que pertenciam ao mesmo partido:  PSDB.

Nas atuais circunstâncias, Wanderlei Barbosa corre o risco de fechar seu governo com problemas que serão dificultadores num eventual retorno a mandatos.

E que necessitam da sua intervenção direta e próxima. Mudar o foco do governo para a campanha eleitoral que se mostra indefinida nos resultados não seria a opção  mais adequada.

Exigiria mais sacrifícios, não dos candidatos, mas da máquina pública.

Ademais, Wanderlei não tem, por óbvio, garantia alguma (e não haveria por que) de que sua candidata, a senadora Dorinha Seabra (UB), numa eventual eleição), abriria passagem para seu retorno em quatro anos.

Ou seja: estaria como Siqueira Campos com Moisés Abrão em 90. O senador era seu candidato mas Siqueira estava de olho em 94. E tinha a percepção de que Moisés Abrão não abriria para ele construindo sua própria plataforma.

Apesar da reeleição ter sido aprovada só em 1.997, Siqueira preferia desgastar a oposição (Moisés Avelino no mandato) do que fortalecer um adversário interno direto.

Anos depois Moisés Avelino devolveria o "mimo" a Siqueira. Wanderlei, nessa época, era vereador do PMDB.

Dorinha tem direito à reeleição e não se pode retirar-lhe a possibilidade de exercê-lo, indiferente de aprovação ou não de sua administração.

Mais não bastasse, o candidato do bolsonarismo a presidente, Flávio Bolsonaro (PL),defende aumentar o mandato de presidente para oito anos se eventualmente eleito.

Com o perfil do Congresso, não é implausível que não o aprove.

Mudança que atingiria, por gravidade, os governos e bancadas estaduais.

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