Vou na contramão: Wanderlei Barbosa pode estar certo em não entrar de cara na campanha da senadora Dorinha Seabra.
Não apenas por princípios democráticos de respeito à igualdade de condições dos candidatos, mas também por seu próprio projeto político, se o tem.
Ele tem sido cobrado por mais participação no palanque de Dorinha onde qualquer riacho de ausência é um oceano.
Mas tem dito reservadamente que apoiaria Dorinha Seabra mas ela não seria sua candidata.
Não precisaria de reserva alguma para isto. Wanderlei defendeu Amélio Cayres por dois anos. E as circunstâncias da mudança de candidato (após afastamento) são plenamente conhecidas.
Defender o continuísmo, por outro lado, interessaria pragmaticamente (obras e estrutura) mais ao grupo do que à população que tem, nas urnas, o instrumento para julgar o trabalho daquele que elegeu.
Se o político necessita convencer o eleitor da extensão de seu projeto e sua continuidade, é porque o seu projeto não fica em pé sem a sua retórica. Não atinge o cidadão na plenitude de suas carências.
E acoplar um projeto diferente (do governo aliado) dando-lhe um rosto de continuísmo Denorex, pior ainda. Mesmo entregando parte da administração ao candidato aliado.
Bem fez Fernando Henrique Cardoso (que patrocinou a reeleição) que preferiu administrar seus últimos meses de governo no segundo mandato, a subir no palanque do tucano José Serra contra Lula em 2002. E olha que pertenciam ao mesmo partido: PSDB.
Nas atuais circunstâncias, Wanderlei Barbosa corre o risco de fechar seu governo com problemas que serão dificultadores num eventual retorno a mandatos.
E que necessitam da sua intervenção direta e próxima. Mudar o foco do governo para a campanha eleitoral que se mostra indefinida nos resultados não seria a opção mais adequada.
Exigiria mais sacrifícios, não dos candidatos, mas da máquina pública.
Ademais, Wanderlei não tem, por óbvio, garantia alguma (e não haveria por que) de que sua candidata, a senadora Dorinha Seabra (UB), numa eventual eleição), abriria passagem para seu retorno em quatro anos.
Ou seja: estaria como Siqueira Campos com Moisés Abrão em 90. O senador era seu candidato mas Siqueira estava de olho em 94. E tinha a percepção de que Moisés Abrão não abriria para ele construindo sua própria plataforma.
Apesar da reeleição ter sido aprovada só em 1.997, Siqueira preferia desgastar a oposição (Moisés Avelino no mandato) do que fortalecer um adversário interno direto.
Anos depois Moisés Avelino devolveria o "mimo" a Siqueira. Wanderlei, nessa época, era vereador do PMDB.
Dorinha tem direito à reeleição e não se pode retirar-lhe a possibilidade de exercê-lo, indiferente de aprovação ou não de sua administração.
Mais não bastasse, o candidato do bolsonarismo a presidente, Flávio Bolsonaro (PL),defende aumentar o mandato de presidente para oito anos se eventualmente eleito.
Com o perfil do Congresso, não é implausível que não o aprove.
Mudança que atingiria, por gravidade, os governos e bancadas estaduais.


