Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Apoio de governador e prefeito é relevante para candidatos na Capital. Mas urnas informam que não é determinante no resultado das eleições

05/02/2024 1182 visualizações

Enquanto a militância se ocupa tentando advinhar qual será o candidato a prefeito da Capital a ser apoiado pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e prefeita Cínthia Ribeiro (PSDB) e os adversários aguardassem-no para calibrar estratégias, as oito eleições municipais realizadas em Palmas poderiam orientar um diagnóstico mais preciso para aferição de prognósticos eleitorais.

Os resultados tem demonstrado que nem sempre a aliança entre prefeito e governador deu vitória a seus candidatos. E também que não é uma variável constante prefeito e governador unirem-se para ter em mãos o Paço Municipal.

Significa que não seria uma imposição política incondicional para uma aliança política entre Wanderlei Barbosa e Cínthia Ribeiro, os dois terem um mesmo palanque na Capital este ano. Numa cidade de mais de 200 mil eleitores de regiões e culturas diversas.

O primeiro prefeito de Palmas foi Fenelon Barbosa (pai do atual governador) eleito em Taquaruçu do Porto com o apoio do MDB. Taquaruçu foi criado em janeiro de 88 mas instalado em 89 quando Siqueira já era governador do Tocantins.

A transferência da sede da Comarca para a região de Canela e instalação da Capital foi, assim, um armistício hoje visto como necessário.

Trégua interrompida assim que instalou-se Palmas como é notório na apropriação, por Siqueira governador, do FPM do município, deixando Fenelon sem orçamento, cimentando a candidatura de Eduardo Siqueira à sua sucessão.

Fenelon foi para a oposição enfrentando tudo de ruim que o siqueirismo aprontava com aqueles que dele discordava. Vem daí Wanderlei Barbosa ser refratário a agora apoiar Eduardo Siqueira. A família Barbosa Sales não esquece o que foi levada a passar.

Em 92, o MDB (Moisés Avelino) governava o Estado e Eduardo Siqueira (oposição) foi eleito prefeito contra o candidato do Palácio, deputado estadual Eudoro Pedrosa. Já em 96, Siqueira governador, o eleito foi o seu escolhido: então deputado federal Odir Rocha.

Com Siqueira ainda no Palácio, Nilmar Ruiz (sua indicada) venceu o então deputado estadual Raul Filho em 2000 num processo político que alijou Odir de disputar a reeleição.

Odir foi outro que ousou discordar dos métodos siqueiristas. Duas semanas antes de morrer, contou-me, em entrevista gravada, detalhes dos momentos que passou naqueles quatro anos de prefeito de Palmas.

Nas eleições seguintes (2004), com Marcelo Miranda no cargo de governador, Raul bateu Nilmar Ruiz, a candidata de Siqueira. Marcelo havia rachado com Siqueira e o MDB indicou o vice Derval de Paiva.

Nas eleições de 2008, ainda com Marcelo governador (havia sido reeleito em 2006), o Palácio titubeou entre apoiar Nilmar Ruiz (agora aliada) a Raul Filho (PT). Esperou até a undécima hora e Nilmar teve uma fragorosa derrota.

Creditada, em larga medida, à indecisão de Marcelo e à barbeiragem do marketing que tentou fazer de Nilmar (uma pefelista) a candidata de Lula (até nas cores) quando o PT já tinha seu candidato genuíno. Nilma na pré-campanha era disparadamente possuidora do maior índice de intenções de votos.

A eleição do empresário Carlos Amastha em 2012 representou um dos exemplo mais cristalinos do humor do eleitor metropolitano.

Naquele ano, o governador era Siqueira Campos que tinha como candidato o deputado Marcelo Lélis. Amastha (que não tinha disputado cargo algum) derrotou o prefeito (Raul Filho que não podia disputar reeleição e não o apoiou) e o candidato siqueirista. E manteve o desempenho em 2016 quando, com Marcelo Miranda no governo novamente, derrotou o candidato palaciano (Raul Filho).

O diferencial ocorreu em 2020.  Cínthia Ribeiro (que não tinha o apoio do ex-prefeito que sucedera) venceu seu candidato (Tiago Andrino) e os candidatos do Palácio Araguaia, Eli Borges e Vanda Monteiro (PSL). E o deputado Junior Geo.

 

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