Esta foto de ontem à noite no Jardim Aureny IV (um dos bairros mais populosos da Capital) registra parte das perdas da estratégia eleitoral do senador Irajá Abreu. E do ativo que proporcionou a Ronaldo Dimas e Carlos Amastha, na inversa medida em que abalou os ativos da senadora Kátia Abreu que tem trabalho prestado na Capital.
Irajá é novo, arrojado, tem boas idéias, propósitos e pode um dia ter oportunidade (pelo voto) de governar o Estado. Até lá, entretanto, terá que abrir-se ao conhecimento político-eleitoral e, especialmente, da alma humana. E dos eleitores.
O senador Eduardo Gomes, ex-prefeitos Carlos Amastha e Ronaldo Dimas, pelas declarações de ontem, estariam juntos, com apoios recíprocos de Amastha a Dimas, contra o hoje detectado isolamento de Irajá que se reflete, por derivação, na senadora Kátia Abreu, candidata à reeleição. Kátia tenta reerguer-se e tem tudo para fazê-lo com o que já fez pelo Estado e país em dois mandatos. E tem ficha limpa.
Dimas buscava, até dias atrás, um senador, Irajá já o era, Amastha dizia querer disputar a Câmara dos Deputados e seguiam para uma aliança que era racionalmente a melhor estratégia para o grupo ligado a Jair Bolsonaro. Hoje Dimas e Eduardo parece já terem o seu candidato à Câmara Alta.
Essa foto aí indica que, apesar das metonímias e eufemismos, Amastha estará pedindo votos para Ronaldo Dimas e Eduardo Gomes para ambos.
Eduardo foi (na última eleição estadual/2018) o senador mais votado em Palmas (16,74% dos votos válidos) e do Estado (19,48%). Palmas é o maior colégio eleitoral com 198 mil eleitores este ano. Jà Amastha obteve, para governador 39,62% dos votos válidos dos palmenses (e 31,19% do Estado). Não é pouco.
Irajá, então deputado federal, teve em 2018 para Senado menos votos em Palmas que o ex-deputado Antônio Jorge que ainda não saira do ostracismo. Ficou na sétima colocação com apenas 9,97% dos votos dos palmenses. Mas em 2° lugar no Estado com 16,8% dos votos.
Somando este desempenho aos quase 70% de aprovação com que Ronaldo Dimas entregou a prefeitura de Araguaína a seu aliado (contra 15% de aprovação de Mauro Carlesse nas eleições de 2018) – segundo maior colégio eleitoral do Estado com 112 mil eleitores – tem-se aí pouco das perdas ao próprio Irajá de sua estratégia heterodoxa.
Um grupo que poderia ser dividido (ou reforçado) em 2026 (renovação senado ou disputa governo) onde tanto Irajá quanto Gomes renovarão seus mandatos ou disputarão o governo. Ficou, portanto, mais fácil a Eduardo Gomes, a Amastha e Dimas solidificarem seus projetos. Enquanto, tudo indica, Irajá terá que suar para deixar a zona cinzenta abaixo de zero para, só assim, tentar acompanhar os que optarem por se aliar contra o mesmo adversário.


