Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Apocalypse now. Meu artigo desta quarta no Jornal do Tocantins

30/12/2020 142 visualizações

Quando criança, a exemplo dos meninos criados sob uma cultura religiosa, assombrava-me a construção milenarista judaica que a igreja manipulava para sugerir que se mil anos passariam, dois mil anos seriam o final. O milênio seria o fim, como juízo e salvação.

Era uma leitura apocalíptica seguida de outra ameaça: Jesus voltará. De outra forma: os pecadores que aguardasses que Ele estaria de vigia e viria para puni-los e aos seus pecados. A ameaça sem dúvida empurrou, pelo medo, as pessoas a buscarem a religião. Fui obrigado a me batizar e, após, ser crismado que era a confirmação da aceitação da religião.

O ano 2.000 (há 20 anos) chegou e o fim do mundo foi a ameaça do bug do milênio. Não ocorreu qualquer apocalipse, a não ser nos computadores que precisaram ser atualizados. Encontrou-me na redação do Jornal do Tocantins, coordenando pautas e jornalistas, abrindo e fechando um jornal impresso diário. Sem tempo para pensar em fim de mundo.

Duas dezenas de anos depois, entramos na terceira década do segundo milênio e as pessoas se ocupam de uma outra tragédia: a mortandade por um vírus que já eliminou da face da terra algo próximo de um milhão e oitocentas mil pessoas (190 mil delas no Brasil). Talvez mais mortes do que as provocadas pelo dilúvio de Noé ou pelas dez pragas do Egito.

É um apocalipse sem igual porque ocorre indiferente ao pathos, ethos ou logos das pessoas, divididas que estão, levadas a ficar por suas lideranças políticas e religiosas, entre a ciência e o obscurantismo primitivo.

Pior: a contaminação é impulsionada também por aqueles que anunciaram o fim do mundo no ano 2 mil, na medida em que descontroem a ciência, incentivam aglomerações e se posicionam contra a vacinação em massa dos fiéis em particular e da população de modo geral.

No Estado ontem o índice de isolamento social (único expediente conhecido para brecar a contaminação e mortes) mantinha-se como o pior do país: 36,1%.

Leia mais:https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/apocalypse-now-1.2173083

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