O governador interino Wanderlei Barbosa completa neste sábado um mês no cargo. Anunciou na noite de ontem no Programa Coisa Nossa (TV Norte/SBT que vai ao ar às 10h deste sábado) uma série de medidas. Dentre elas, a decisão de zerar a fila de espera de cirurgias eletivas e uma auditoria nos processos contratados pelo governo afastado.
Wanderlei não economizou adjetivos para enumerar as razões do sistema de saúde pública (e de logística/estradas) continuar deficiente, apesar dos seguidos reajustes orçamentários e do desempenho das receitas estaduais: falta de boa vontade e desinteresse dos ex-governadores e seus aliados na administração. E disse querer fazer diferente.
Muito diferente da pública suposta aliança política exposta nas redes sociais pelos aliados de Marcelo Miranda, Eduardo Gomes, Ronaldo Dimas e Laurez Moreira, em encontros dos quatro em Araguaína (veja vídeo) no meio da semana.
Um encontro primordialmente eleitoral, dadas as circunstâncias, ainda que se tenha a ele dado outra natureza. Um pavio aceso na direção do Palácio Araguaia que enfrenta outro afastamento de governador. Um Estado que já teve sete governadores em 14 anos,
De outro modo: por aqui a corrupção reduziu o mandato do Chefe do Executivo Estadual de quatro para dois anos. Um deles era ali o seu porta-voz e outros espectadores (quando não coniventes) com a roubalheira que a PF e MPF desnuda a cada machadada.
Nele (no encontro de quarta amplificado) se aprende por Marcelo Miranda que “é preciso acabar com esta história de há, aqui pode, aqui não pode. Nós podemos sim, as novas gerações tem que começar a pensar neste Estado, independente da idade, nós temos que louvar o governador Siqueira Campos, sim! Governador Moisés Avelino, sim! Com muita modéstia eu procurei fazer minha parte para o Estado, e os demais governadores que passaram interinamente, mas agora. Agora, Ronaldo Dimas, Eduardo Gomes, vossa excelência tem um papel fundamental na transformação desses Estado”.
Discurso, como é óbvio, não falta. Este aí é o mesmo de três décadas, só alternam os oradores, tempo e lugar, da mesma forma que a situação de miséria da população e do serviço público continua inalterada em três décadas. Apesar dos mesmos operadores.
Alguns dos presentes, calculando tardiamente a repercussão negativa da festinha, saíram a jogar nas costas do ex-prefeito (e candidato ao governo) Ronaldo Dimas, a situação, aplicando-lhe a pecha de armadilha armada pelo ex-prefeito, quando no vídeo todos aplaudem efusivamente o ex-governador do MDB. Só doido aplaudiria o que não concorda que seja merecedor de aplauso. Uns inocentes desavisados que comparecem a um ato público sem saber o motivo e os convidados oradores.
Sem atentar que ali estaria um ex-governador que fora cassado por duas vezes pelas mesmas acusações e que chegara a ficar preso por cinco meses. Negando que Siqueira Campos só não foi preso por causa da idade, mas que teve busca e apreensão e condução coercitiva e que seu aliado e sucessor, Sandoval Cardoso, também amargara o xilindró sob acusação de desvio de recursos públicos.
E que o próprio Ronaldo Dimas houvera sido candidato a vice de Siqueira Campos e tanto ele quanto Laurez ocuparam cargos nos governos citados e que entregaram ao último governo um Estado praticamente insolvente com gastos maiores que despesas, serviço público de menos e dutos de milhões de reais como ainda investiga a Polícia Federal.
Mais: que o grupo a que se referia Marcelo Miranda teria sido co-responsável pela pobreza do Estado em três décadas, na inversa e exata proporção em que os líderes políticos que o comandavam (como o grupo que se reunia já eleitoralmente) erguiam fortunas sem dar um prego numa barra de sabão e sem receber herança ou ganhar na loteria. No beiço da Receita Federal e do Tribunal de Contas do Estado.
Pode até ser viabilizada uma chapa Eduardo Gomes/Marcelo Miranda/Ronaldo Dimas/Laurez, uma possibilidade democrática, mas com muito pouca probabilidade de êxito eleitoral. Ainda que um cabeça de chapa e um senador do mesmo partido (MDB) seria conta negativa de votos de legenda, fundo eleitoral, fundo partidário e tempo de propaganda de TV. E ali ninguém é bocó quando se trata disso. Pelo contrário.
Mas esta chapa aí da forma como foi colocada e por tais pressupostos, deu um empurrão e tanto numa candidatura de Wanderlei Barbosa á reeleição. E que percorre o caminho eleitoral com um novo discurso: é um tocantinense nativo, não tem antecedentes criminais e o Estado piorou em três décadas administrado pelos mesmos grupos (e seus tributários) que, depois de tudo que se sabe, tem a cara de peroba de conclamar a juventude pelo novo e transformação do Estado.
Vai enfrentar, por certo, que foi vice de Mauro Carlesse mas tem a seu favor que o ex-governador o teria beneficiado, mesmo quando tentasse prejudicá-lo, ao deixá-lo de fora da administração, como é público e notório, escorrendo todo o passivo das denúncias para o próprio governador afastado.
Em absoluto, com efeito, não são estes os antepassados que a população do Tocantins deve buscar para angariar forças e mudar o seu presente e futuro. Pelo que representa do ponto de vista até antropológico, Wanderlei, assim, pode-se avaliar, ganhou um presente antecipado para os 30 dias de interinidade: o destacamento das diferenças e provocado pelos próprios presuntivos adversários eleitorais de 2022.
Uma soma negativa a exposta por Marcelo Miranda e aplaudida efusivamente pelo grupo que o acompanhava. Erraram a mão no discurso e na antecipação da aliança, algo que só pode ser creditado, pela experiência do grupo, à avaliação de que o governador interino necessitasse ser combatido logo. E isto tem razão e um preço.


