O anúncio nesta quarta pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alkimin, da senadora Kátia Abreu na equipe de transição do governo era, na prática, esperado. Ainda que setores da política do Estado pouco acreditassem na possibilidade.
Como não valoram, na exata medida de seu peso, o trabalho da parlamentar, tanto no Senado (onde hoje é presidente da importante Comissão de Relações Exteriores) como no cargo de Ministra da Agricultura do governo do PT.
Um preconceito que vem desde a criação do Estado e que foi regado pela forma com que a Senadora faz política sem subterfúgios e que, no mais das vezes, é tratado como mera reação dos afetos. Ou seja, uma afetação dos instintos não controlados.
Kátia irá fazer parte da comissão que tratará de temas ligados à agricultura. A Senadora já tinha encontrado-se ontem com o presidente eleito Lula na COP 27 no Egito. E o convite era só uma questão de tempo.
Lula, por sinal, deu sinais expressivos de defender uma chapa Paulo Mourão/Kátia Abreu em outubro, tratando-a, desde a pré-campanha, como uma aliada petista. Não sem razôes: Kátia foi leal ao PT e a Dilma em todo o processo de impeachment quando os ratos abandonavam o porão do navio
O acordo não foi adiante, intui-se, pelo próprio reacionarismo da militância petista: Kátia era útil para abrir mercados e impulsionar a agricultura do país no governo petista, mas, eleitoralmente, não seria bem-vinda. A troça petista fez o partido perder o governo e não eleger deputados federais e estaduais no Estado.
Como é público, Kátia deu impulso no agronegócio. Em pleno governo do PT aprovou um código florestal, elevou os valores do plano safra, abriu mercados internacionais para a carne brasileira e retirou o lobbie da JBS que mandava e desmandava no Ministério da Agricultura.
Sob seu comando (tanto no Ministério como na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil que comandou por uma década) o país colheu safras recordes, levando o PIB do agronegócio a 30% do PIB e dos empregos nacionais.
E teve o seu relatório que derrubou a CPMF aprovado pelo Congresso, contra o peso do governo federal, dos bancos e empresários. Deixou o Sistema CNA/Senar/Sebrae e o Ministério da Agricultura sem qualquer acusação de desvio de recursos públicos.
A senadora Kátia Abreu pode até não assumir novamente o Ministerio da Agricultura, agora no governo Lula, mas que tera papel de destaque na política nacional nos próximos quatro anos, haveria poucas dúvidas.
De igual modo como já se destaca ao, mesmo de viés conservador, convergir a projetos progressistas que nestes tempos sombrios bolsonarianos viraram sinônimo de comunismo ou de esquerda. Para o perfil de Kátia, o que importaria seria o bem público acima de questiúnculas ideológicas com a coisa pública.
Uma avenida para ganhar musculatura política e retomar mandatos eletivos daqui a quatro anos. E, pela relaçao conservada com o governador Wanderlei Barbosa, pode transformar-se num canal producente entre o Palácio Araguaia e o Palácio do Planalto, com implicações, por consequência, no projeto político do Chefe do Executivo estadual que não poderá disputar reeleição no governo.


