Caros, alguns leitores do blog (fazendo eco a avaliações palacianas) discordaram da análise que publiquei na madrugada. Como a maioria dos leitores do blog é formada por setores qualificados tecnicamente, obrigo-me a apontar (ao contrário de outros colegas da imprensa) o buraco estatístico defendido por auxiliares de Wanderlei Barbosa. Coisa de “pesquiseiro” e se tem um governador na parada, sabe-se por onde vão.
E qual é o busílis? Os especialistas palacianos e marqueteiros mequetrefes veem vitória de Wanderlei Barbosa no primeiro turno. E como? O governador teve na pesquisa IPEC 45% de intenções. É uma tese contrária ao artigo deste blog de hoje. Só agora trato da repercussão porque esta manhã fiquei envolvido com a gravação de meu programa semanal (Coisa Nossa) na TV Norte SBT Tocantins.
Mas vamos lá: a pesquisa (IPEC/ex-Ibope) divulgada ontem (contratada pela Rede Globo e que o Grupo Jaime Câmara replica por aqui) identificou também 8% de brancos e nulos e 13% que não quiseram ou não souberam responder (indecisos) de 800 pessoas pesquisadas em 35 cidades. Vejam bem, o Estado registra pouco mais de um milhão de eleitores e 139 colégios eleitorais. Mas devem ter suas réguas estatísticas.
Somando brancos, nulos e indecisos, ter-se-ia como votos não válidos um total de 21% dos votos, somando indecisos como brancos e nulos, reduzindo o número de votos válidos para 79% do eleitorado onde os 45% de Wanderlei representariam, portanto, 56,9%!! Touchê para Wanderlei no primeirão. Ou seja. acima dos 48,9% que apontei aqui na madrugada.
Esta conta eu fizera na madrugada de hoje para demonstrar, pelo contrário, que tanto Wanderlei quanto seus adversários tinham ainda para conquistar: os 13% de indecisos. Não tratei sequer da mudança de voto (de um candidato a outro, também possível), mas apenas dos números colocados. Decididos a anular ou não votar e indecisos entre os candidatos.
Mas os marqueteiros os contabilizaram (os indecisos) antecipadamente como decididos a anular ou votar em branco (e os contabilizam sem qualquer resistência matemática, estatística ou moral) nos votos a se deduzir, elevando os votos inválidos e reduzindo os votos válidos. Inflando os 48,9% dos votos válidos, considerando a definição de votos válidos dada pela Constituição da República, que a IPEC encontrou para o Governador. E aí um desvio que marqueteiros impõe aos candidatos no uso inadequado dos números que atraem o voto útil em função da inexorabilidade do resultado que projeta. Uma vigarice estatística.
Na justiça brasileira, na administração pública, ao contrário do setor privado, só se pode fazer o que a lei determina. Não se permitindo operar diferente como por exemplo o que a lei não proibe.
Dando a Wanderlei a sensação do temerário já ganhou a partir de avaliações mais próximas de bajulação do que de assessor. Aliás, muito dono de instituto de pesquisa ficou rico no Estado fazendo justamente isto: vendendo um produto que o eleitor decidiu não entregar.
A Constituição da República, no seu artigo 77 (que ainda está valendo) dispõe o seguinte:
§ 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
Dois conceitos aí: 1) maioria absoluta (metade mais um) e 2) votos válidos que são todos, não computados brancos ou nulos, como sublinha a Constituição de forma indiscutível..
Como é razoável inferir-se, indecisão não é votar em branco ou anular o voto, tanto que a Constituição não a tratou como voto não válido. Ainda que o eleitor possa fazê-lo, no momento da pesquisa não tinha decidido ainda a votar ou até anular ou votar em branco.
Contrário senso: se esses 13% de indecisos decidirem –se por Ronaldo Dimas em menos de duas semanas, o candidato do PL teria 30% dos votos válidos contra os 45% de Wanderlei que os marqueteiros palacianos estão querendo inflar para 56,9%. Isto só nos indecisos que setores palacianos consideram nulos e brancos desde já.


