A falta de compostura política de parlamentares eleitos é imensurável. O deputado federal Vicente Jr (do PP) defendeu ontem os criminosos golpistas e atacou as urnas.
As mesmas que o reelegeram mas não se viu nele, Vicente, motivação para questionamento do seu próprio mandato saído das mesmas urnas.
Viu razões na cobrança do código fonte que inspiraram, na sua concepção, a tentativa de golpe, repetindo um fake-news.
Concluindo, deduz-se, que isto justificaria um golpe de Estado e a lista de crimes e criminosos bolsonaristas no domingo.
Atacou o afastamento do governador do DF pelo Supremo Tribunal Federal e o ministro da Justiça, Flávio Dino.
E pediu, hipocritamente, senso de brasilidade ao Executivo, Legislativo e Judiciário que foram atacados pela horda criminosa bolsonarista. As imagens de horrores correm o mundo.
A intervenção no governo do DF foi aprovada pelo Senado da República e pela Câmara dos Deputados onde bate ponto o parlamentar tocantinense às expensas do contribuinte.
Do ponto de vista político, a situação piora ainda. Vicentinho Jr – que não é dado a extremismos e cujo pai, ex-senador Vicentinho Alves pediu votos para Lula e a presidente regional do seu partido, senadora Kátia Abreu, é também aliada do novo presidente - tenta ser o mais bolsonarista dos deputados federais do Estado (oito bolsonaristas foram eleitos para a Câmara em outubro último), sugerindo um aproveitamento eleitoral indecente da crise que ameaçou os poderes da República.
Pode a estratégia operar em contrário: Vicentinho ser engolido pelo feitiço que expande na defesa dos criminosos bolsonaristas. Isto porque já prospera no país a idéa do não pacto com criminosos golpistas, caindo a intenção de pacificação que o deputado ainda hoje prega mesmo que seu exército continue querendo sangue.
Como bem o comprova na sua própria retórica fascista de ontem.


