É provável que nesta quarta-feira o número de contaminados pelo corona vírus no Estado se aproxime de 400 pessoas. Uma média de crescimento no número de casos que encosta nos 280% a cada sete dias.
Observo no Estado, há dois dias, as pessoas compartilhando com entusiasmo o encontro de segunda entre Jair Bolsonaro com o Major Curió, acusado de comandar a chacina da guerrilha do Araguaia, ali bem perto, em Xambioá, na divisa com o Pará.
Uma ação militar que resultou em uma centena de mortos e desaparecidos. O próprio Curió é acusado pelo Ministério Público Federal de assassinar pessoalmente alguns deles. Muitos foram mortos mesmo rendidos. E ganhou dos militares o garimpo de Serra Pelada para administrar.
Ainda assim, as redes sociais se dividem, entretanto, entre apoiar Jair Bolsonaro contra o isolamento (e achincalhar os defensores do distanciamento social) e defender os ataques ao STF, Congresso e imprensa de que as milícias ideológicas se ocupam, sem qualquer desfaçatez e explícito descaramento, na luta pelo retorno da ditadura no país.
As seis mortes pela pandemia aqui dentro, mostrando a face cruel do Covid-19 bem próximo, não são, com efeito, motivo suficiente para que as pessoas façam opção por defender sua própria saúde a categorias de pensamento tão arbitrárias quanto reacionárias.
Antes, espicaçam o sistema político e institucional, dando à ação política, em desfavor da razão que a pandemia deveria provocar, o papel de uma prática por uma causa final que, a história da civilização demonstra, pode não ser a causa mais efetiva, consideradas as presumidas finalidades.
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