Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Andrino tem tudo para encabeçar uma frente ampla. E com duas vantagens: já tem um partido e a não obrigação de ganhar de Cínthia e Wanderlei, seus prováveis principais oponentes

luizarmandocosta 15/02/2020 626 visualizações

O vereador Thiago Andrino foi, na prática, lançado candidato a prefeito de Palmas pelo PSB na quinta e ontem. Nada do que não já se projetasse há pelo menos dois anos ou antes. O partido sai, assim, à frente de seus dois principais adversários: a prefeita Cínthia Ribeiro e o vice-governador Wanderlei Barbosa.

Paradoxalmente, aquilo que Andrino não tem é uma de suas principais armas: o poder político e financeiro da máquina pública municipal e estadual que retira-lhe a obrigação de ganhar, tornando-o um franco atirador, impondo a pressão eleitoral (e cobrança de resultados) em grau mais elevado aos candidatos da prefeitura e governo. E isto é relevante do ponto de vista emocional, maximização de resultados no aproveitamento dos recursos disponíveis e de ânimo.

Somando isto ao que Andrino possui, um partido a impulsionar-lhe a candidatura, com um fundo eleitoral de R$ 198,4 milhões (2020 em todo o país) e a disposição demonstrada pela direção nacional (publicitada na quinta e sexta à exaustão) de priorizar-lhe na disputa nas capitais, o vereador do PSB tem tudo para se movimentar na pré-campanha com mais alívio que fardo. Ou seja, mais leve.

O contrário de Cíntha e Wanderlei que, apesar das estruturas que lhe dão apoio, perderam o "time" partidário e aproximam-se do prazo eleitoral para encontrar partido ainda indefinidos sobre qual legenda os abrigará na disputa eleitoral de outubro.

Wanderlei equilibrando-se sobre a possibilidade de um presuntivo apoio não declarado publicamente pelo Palácio Araguaia e Cínthia tentada a candidatar-se sob medida de exceção do PSDB nacional contra uma possível decisão majoritária do diretório regional e metropolitano tucano, o que a obrigará a dividir esforços entre a campanha e o poder Judiciário na defesa de sua candidatura.

Uma temeridade tanto política como quanto à possibilidade concreta de deixar a disputa por ter-lhes retirado legenda, condição sine qua non para candidaturas. E isto amplia dúvidas. Tudo que eleitor mais abomina é, com efeito,  a possibilidade de "perder" o seu voto.

Partido, como é notório, não é só fundo, mas agrupamento, projeto, aliança por propostas convergentes que alavancam pretensões eleitorais. Um ajuntamento de partidários de uma mesma causa.

Afinal, que explicação poderiam dar, ideologicamente, Wanderlei e Cínthia, aos eleitores, a seis meses das urnas, para aceitação de outras plataformas políticas diversas dado que já integrantes de projetos em andamento. Enquanto Andrino segue representando a vontade de um mesmo partido onde manteve-se desde que a ele filiado.

Não à toa, Andrino reunir lideranças suprapartidárias na quinta e sexta na Capital que não economizaram-lhe elogios e isto em política é traduzido por incentivo. O primeiro degrau para uma escalada de apoio consequente.

Uns já integrantes da própria aliança (como Carlos Amastha, Vicente Jr/representado pelo irmão, ex-vereador Neto Aires, Marlon Reis, Alan Barbiero) e por amizade antiga (Ataídes Oliveira).

Ou mesmo a senadora Kátia Abreu, considerada generosa por Andrino (em conversa com este blog na noite de ontem), minimizando e até relativizando por prudência política, a presença da parlamentar na abertura da Casa 40.

Prudência que não economizou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que gastou a maior parte do seu discurso elogiando Kátia e a parceria que PSB e PDT (da senadora) tem em nível nacional.

Se conseguir unir tudo isto à experiência política e trato que possui (foi secretário de governo e da Casa Civil da administração de Carlos Amastha e está há mais de dez anos acompanhando o ex-prefeito) e agora vereador, Andrino é, certamente, um candidato a não ser desprezado na sucessão municipal.

É competitivo, sim. E o que o informa são os fatos presentes que podem transformar-se em realidades futuras, como ocorre na política que não é só poder. A expectativa de poder contamina mais que o próprio poder instalado porque são os que não o tem com a perspectiva de tê-lo, contra os que já o tem, cujo ânimo para mantê-lo não carrega o mesmo impulso vetor de aceleração por razões conhecidas.

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