O PSB deu posse ao vereador Thiago Andrino ontem como presidente metropolitano da legenda. Hoje, o partido abre a Casa do PSB que, tudo indica, será na prática, um comitê eleitoral antecipado o que exigirá dos socialistas maior prudência dadas as proibições eleitorais.
Não necessitaria de maiores demonstrações políticas de intenções, a escolha do local para abrigar a "Casa" na vizinhança da sede da Prefeitura Municipal dentre os mais de 150 mil imóveis da Capital nos seus 2 mil e 218 km2 de área. E o calendário eleitoral das eleições deste ano. Jogo jogado.
A estratégia, se pode render uma suposta pressão emocional à considerada principal adversária do PSB, a prefeita Cínthia Ribeiro, por outro lado, como todo excesso (retórico e pragmático) que a conduz, tem capacidade suficiente para se transformar num malogro sob as vistas do eleitor.
Andrino, até então sem arestas e leve de carregar (como diriam os marqueteiros) terá, entretanto, estão a dizer os fatos antecedentes, sequentes, consequentes e que projetam-se subsequentes, dificuldades para estabelecer um ponto de equilíbrio na pré-campanha.
Seu desempenho eleitoral, com efeito, depende diretamente do controle emocional de seu preletor, o ex-prefeito Carlos Amastha, que, não equalizando passionalidades explícitas, pode levar a população a enxergar nos ainda indícios involuntários, evidências planejadas de misoginia contra a prefeita no exercício democrático de política partidária-eleitoral. Uma distorção.
E olha que Andrino já terá outros dificultadores provenientes do que hoje se considera ativo: a administração do PSB metropolitano que lhe foi entregue ontem.
O vereador terá que compatibilizar os problemas da Executiva municipal que tem a obrigação de arbitrar (líderes, fundos partidário e eleitoral, burocracia interna) com a pré-campanha e a campanha eleitoral. Dispenderá esforço duplo que lhe proporcionará, pela lógica, divisão de frentes quando deveria centralizar suas baterias na campanha.
Se não exercer o papel que os estatutos o obrigam a desempenhar, terá aberto outro flanco de críticas de ser um duplo poste de Amastha: o ex-prefeito passaria a comandar, explicitamente, não só o PSB regional mas também o metropolitano.
Daí para tomar de conta também da administração da cidade, num eventual êxito de Andrino, não existiria necessidades das pontes e dos freios que hoje ainda parecem obstruir-lhes passagem ou o liguem a retóricas e práxis mais racionais e fundadas no bom senso e senso comum.
Ou seja: Amastha pode transformar o seu excepcional ativo político na cidade e no Estado num fardo político a Andrino.


