Os demonstrativos de Amélio Cayres (presidente da Assembléia Legislativa) na abordagem política dos pedidos de impeachment de Wanderlei não são favoráveis a um nem outro.
Hoje completa 68 dias do afastamento de Wanderlei (e exercício de Laurez). E haveria seis pedidos no Legislativo.
No afastamento de Mauro Carlesse, o então presidente da Assembléia, Antônio Andrade, pautou um pedido de impeachment (dos quatro protocolados) com 47 dias de afastamento do governador.
Andrade era aliado de Carlesse como Cayres o é de Wanderlei. É o único inimigo que Carlesse viu na situação. Mas Andrade cumpriu a Constituição.
Mas há outras diferenças que inclinam a dar ao caso de Wanderlei, necessidade maior. Além do marco temporal.
Lá em Carlesse, 23 (de 24) deputados aprovaram a tramitação em primeiro turno.
Aqui é o contrário: 10 dos 24 deputados fazem parte da investigação. São investigados.
Uma contaminação que forçaria Amélio a pautar o pedido até para melhor defender-se e afastar-se das acusações.
Contrário senso, poderia o próprio STF afastar os deputados (que o STJ negou circunstancialmente naquele momento) – inclusive o próprio Cayres -sob prejuízo de cumprimento do papel constitucional dos parlamentares.
Com os substitutos (suplentes), cumpriria-se o rito constitucional que a situação exigiria. Com todos se defendendo fora do cargo.
Ademais, se lá em Carlesse o bloqueio determinado pela Justiça (Operação Hygea) foi de R$ 40 milhões, na investigação que envolve Wanderlei (Operação Fames), os prejuízos (STJ) são estimados em R$ 73 milhões.


