O discurso do presidente do Legislativo, Amélio Cayres, no sábado (lido) foi definitivamente esclarecedor, estarrecedor e revelador das circunstâncias por que passa o Estado.
Amélio (chefe de um poder constitucional) não deixou margem a dúvidas quanto a isto e o fez por escrito para não errar aquilo que, de fato, queria que se ouvisse e se entendesse.
Quando saiu do scrip, escorregou: agradeceu o deputado Leo Barbosa (filho do governador) por ter sido eleito presidente da Assembléia Legislativa, cargo que tomara posse.
No papel, Amélio discorreu sobre governabilidade e segurança jurídica. E enalteceu a “união” entre os poderes. Além de criticar a imprensa que se aprofunda sobre seus desvios políticos.
Não ficou só nisso. Fez pior: defendeu a “hegemonia” e a necessidade de “combater” os adversários políticos. Segundo ele, aqueles que causam desavenças e insegurança.
Tudo isto sob os olhos dos chefes do MPE, TCE, TJ, TRE, Executivo e que tais.
No cérebro do presidente do Legislativo, governo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas estão (ou deveriam ser) aliados em favor da governabilidade.
Citou as consequências, mas omitiu as causas orçamentárias e financeiras que plasmam a relação sucumbindo em certo grau suas finalidades.
Para Amélio (no discurso) os contrários deveriam ser, intuo, eliminados deste sistema. Ministério Público, TCE e Judiciário cuidariam do resto que seria possibilitar essa segurança jurídica.
Na tese, MPE não investigaria deputados nem secretários ou governador, Tribunal de Contas desviaria os olhos da execução orçamentária e a Justiça estaria aí para segurança.
Isto tudo para fazer sentido à “hegemonia” defendida por Amélio na posse na presidência do Legislativo por mais dois anos.
Amélio, se fosse levado a sério, teria conseguido o que o PT não conseguiu no país: implantar a hegemonia defendida por Antônio Gramsi.
A mesma que Nicolas Maduro implantou na Venezuela com a cooptação dos poderes pela governabilidade, com os meios de que dispõe.
Os mesmos que se dispõe por aqui.
A coisa, pelo jeito, é pior do que se imagina. E tudo em favor (e na sua defesa) do estado democrático e de direito!!!
Exemplo claro da democracia sendo corroida por dentro e pelos próprios poderes.


