Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Amastha: um cabresto atrás de pescoço. Ex-prefeito tenta fazer com Ayres o que tentou com Cínthia. Uma estratégia camicase

luizarmandocosta 28/08/2019 560 visualizações

É atribuída ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche a seguinte transcrição:"Na solidão, o solitário devora a si mesmo; Na multidão, devoram-no os números. Então, ele escolhe." Tomo-a para submetê-la a seu escrutínio a reação do governador Mauro Carlesse no último final de semana à ação do ex-prefeito Carlos Amastha de pressão ao deputado Ricardo Ayres, hoje na base do Palácio Araguaia mas ainda no PSB, controlado pelo ex-prefeito.

Pelo publicitado, infere-se que Carlos Amastha vai desenvolvendo seu projeto irracional na política de subtrair para somar. Pensar diferente, é como se discordasse de que, na física,  duas retas paralelas e equidistantes nunca se encontram. Nem no infinito.Apesar das elocubrações em contrário.

Só assim para ter-se que diminuir fosse aumentar ou tivesse nisto um sentido filosófico quando, na prática, votos e apoios eleitorais são matemática pura.  Sem mandato e apenas no gogó empurra para fora do seu grupo o único deputado do partido. E até argumentando justificativas injustas.

Ricardo Ayres pode ser interpelado por tudo, menos por falta de demonstrações de lealdade. E, fora determinados equívocos (contradições com sua proposta inicial de projeto político) – passíveis de compreensão pela própria natureza – é um parlamentar considerado acima da média na atual legislatura.

Dispõe, ademais, de fundamentos mais substanciosos que o próprio Amastha, usuário da adjetivação como método tanto retórico quanto dialético. Isto quando os permitiria. Impôs na prefeitura (no primeiro cargo público que conquistou), como é público, uma espécie de regime de força, não só administrativo, mas político. Jogo jogado.

Amastha faz pressão em Ricardo Ayres para deixar a base do governo fora do prazo de forma até burra. Na prática, empurra Ayres para a campanha eleitoral que já antecipou. A torcida do Corinthians e do Flamengo na cidade sabe que o vereador Thiago Andrino é o seu candidato a prefeito. Uma decisão que intercepta o projeto de Ayres, com mais tempo de estrada. E mais votos.

No PSB do Estado hoje Ricardo Ayres seria, do ponto de vista eleitoral, a maior força do partido porque detentor de mandato. Amastha não o tem e nem a força da caneta. Para atender seu eleitorado com benefícios, é razoável supor que ao deputado seria mais producente defender o governo no que ele tem de benéfico, que, aliás, foi eleito pela maioria. Inclusive eleitores do PSB. Até porque a campanha eleitoral só ocorre no próximo ano.

Ricardo Ayres sabe que o partido não pode obrigá-lo a votar contra projetos do Executivo só porque o PSB é oposição. Seria irracional o partido (financiado com recursos públicos) ter como meta opor-se até mesmo a ações que beneficiem sua atividade fim: a população. Partidos não são o fim em si mesmo.

E aí Amastha teria que expulsá-lo, deixando-lhe o mandato (expulsão não retiraria mandato por infidelidade partidária) e a possibilidade de entregar ao candidato do governo a prefeito (e ao governo) as estratégias políticas de Amastha de quem, por sinal, foi um dos maiores colaboradores.

De outro modo: Amastha quer, metaforicamente, fazer com Ricardo Ayres o que tentou fazer com Cínthia Ribeiro: colocar-lhe um cabresto.

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