Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Amastha terá que dispender muito mais que saliva para agrupar o PT de Zé Roberto, Donizetti, Mourão, Milne e Vilela na sua canoa

luizarmandocosta 07/01/2020 487 visualizações

É atribuída ao presidente metropolitano do PT, João Vilela, no T1 Notícias (da jornalista Roberta Tum), na manhã desta terça, 7, a informação de que o PT e Carlos Amastha estariam trabalhando uma aliança de centro-esquerda com vistas às eleições na Capital. Quando se fala em aliança, está-se tratando de chapa majoritária porque não haverá coligação para vereadores (proporcional) com a legislação em vigor. É de prefeito e vice que se trata.

Grosso modo seria o trabalho aliando-se ao capital. O operariado fazendo sociedade com o patrão. Não deixa de ser um conjunto curioso. Nem o mais ponderado e condescendente marxista-leninista chegaria a tanto. Talvez seja a forma dos sem renda deixarem a manufatura ou o cabo da enxada, para fazerem compras no Capim Dourado.

As conversas são de fato. E não de agora. Mas não é o ponto: Vilela (que já foi dono de posto de combustível na Capital) foi eleito presidente metropolitano com o apoio (na verdade um de seus braços é possível avaliar) do ex-deputado federal Milne Freitas (suplente que assumiu), derrotado na eleição da executiva (e diretório) regional do partido pelo atual presidente, deputado José Roberto, que foi reeleito com 60% dos votos dos convencionais.

Milne é Lula, Donizetti Nogueira, Zé Santana e Paulo Mourão. Os mesmos que foram triturados por Zé Roberto na eleição geral passada. E Mourão é o cabeça de chave da conversa com Amastha. Zé Roberto é Lula e Psol. São duas correntes distintas no partido. Só que Zé Roberto detém, pelo voto, o comando regional do partido. No Legislativo, tem sido mais rentista que petista mas tem o aval da militância, dada a sua reeleição.

Mourão é, indubitavelmente, um nome melhor preparado e com mais experiência política e parlamentar que o deputado estadual. Era apoiado de público por Zé Roberto na disputa pelo Senado, mas teve, internamente, sua base dividida pela inação/omissão da regional.

Na pré-campanha, Zé Roberto chegou a elogiar candidatos adversários ao Senado em detrimento do candidato do seu partido. Uma explícita resistência a disputas internas com antípodas partidários de correntes opostas que pudessem fazer-lhe sombra.

Quem não se lembra das eleições suplementares ao governo do ano passado quando o PT regional decidiu apoiar Carlos Amastha e a nacional (Lula) interveio para apoio a Kátia Abreu? Diferenças ideológicas insignificantes entre os dois, ambos mais capitalistas que socialistas, ainda que se pudesse, hipoteticamente, separá-los nos princípios.

É nesse guizado aí que é construída a aliança das conversas confessadas ao T1 Notícias pelo presidente do executiva metropolitana do PT. Pode ir adiante? Pode.  O PT já fez negociações e alianças mais heterodoxas. Para agrupar Zé Roberto, Donizetti,  Vilela e Paulo Mourão, entretanto, Amastha terá que dispender muito mais que saliva.

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