Pode resultar sinônimo menos de segurança que de incertezas, as alterações do Republicanos (partido do governador) nas datas e horários da convenção na Capital.
O partido havia decidido em junho fazê-la na Assembléia, mudou para o Colégio Militar na semana passada e ontem, 24 horas antes da reunião, a transferiu para a sede do partido.
Ou seja, saiu de uma tribuna legislativa para um cubículo de quatro paredes distante da Praça dos Girassóis, sugerindo redução de relevância à convenção. E, claro, de suas deliberações.
A mudança ocorreu quando a pré-candidata do PL, Janad Valcari, publicava nas redes fotos da montagem do palanque do partido na Praça dos Girassóis. De palco e shows não se pode dizer que Janad não entenda.
E aí o busílis: o espetáculo esperado de Janad retira o protagonismo que o Palácio espera ter o Republicanos.
Se o UB, de Dorinha Seabra e Carlos Gaguim e o PP, de Vicente Jr., buscam seu naco de poder em outras esferas, o governador Wanderlei Barbosa tem mais com que se preocupar e ocupar.
Uma grande festa do PL, na forma em que se coloca (todos juntos ali na Praça dos Girassóis) favorece aumento de poder político de Eduardo Gomes e Janad.
Um grupo que se fortalece, não no antagonismo ao Governador, mas ao seu lado.
Um antagonismo do bem quando governadores tem direito a formar e manter seu próprio poder político quando alimentar potenciais adversários não seria a melhor estratégia.
E em política a expectativa de poder é, às vezes, mais ativo do que o poder em descenso.
O Republicanos pode ter explicações públicas para a mudança repentina (que não as deu na publicação de novo edital ontem), mas as circunstâncias levam a outras narrativas.
No popular: o governador Wanderlei Barbosa (presidente regional do Republicanos) pode apoiar a candidatura de Janad Valcari. Mas pode não aderir de malas e cuias à campanha da deputada.
E adesão não é apoio. Em política uma diferença não irrelevante.


