A aliança do Republicanos com o Patriotas, na forma em que se deu, pode apresentar-se como uma estratégia palaciana. Ainda que se apresente involuntária (pelo aparente desprezo á lógica dos formuladores governistas) ela impõe uma dedução de explícita despreocupação do grupo de Wanderlei Barbosa com os demais componentes da majoritária. O que para quem escolheu Wanderlei na pré-campanha pode ter virado um pesadelo.
O que torna aquela reunião-comício na ATM de lançamento de Dorinha Seabra como senadora palaciana e companheira de Wanderlei uma espécie de farsa democrática do bem. Isto porque o eleitor não saberá qual candidato realmente é o candidato do governo e que irá apoiar o Estado no Congresso numa eventual eleição. Como se disputa apenas uma vaga, Wanderlei não poderá eleger como escolha (aos olhos do eleitor) mais de um candidato não exercendo discricionariedades inconfessáveis.
O Patriotas decidiu apoiar o governador mas manteve sua decisão de ter candidato próprio ao Senado. É expediente referendado pelo TSE em junho último. O Patriotas, com a aliança, só não poderia disputar o Senado na chapa de outro candidato ao governo. As tais alianças cruzadas.
De outro modo: no exato momento, a chapa de Wanderlei teria, ao menos, dois candidatos a Senador na disputa de uma vaga. O efeito imediato é a divisão dos votos da coligação entre a deputada federal Dorinha Seabra e o Pastor Claudemir, candidato anunciado do Patriotas. E isto , se aumenta a possibilidade de apoios a Wanderlei, pode representar um tsumani nos votos evangélicos da deputada.
Enquanto isto, a senadora Kátia Abreu – candidata a reeleição e principal adversária de Dorinha – e o ex-governador Mauro Carlesse seguem sem as mesmas disputas internas. Por enquanto.


