As primeiras doses da vacina contra a Covid-19 começaram a ser aplicadas ontem na Inglaterra enquanto no Brasil governadores batiam boca com o governo federal exigindo não só a compra de vacina mas um planejamento para sua aplicação.
De sorte que, enquanto os ingleses eram imunizados, o Ministério da Saúde brasileiro dizia aos governadores projetar a necessidade de mais quatro meses no país para fazê-lo. E tudo fica por isto mesmo. Uma guerra de “donos” da imunização e da insensatez burocrática mortífera.
Como no Estado do Tocantins o governo avalia seguir o plano nacional de imunização previsto pelo Ministério da Saúde, o calendário aponta para início de imunização no mês de março de 2021. A Covid-19 já havia provocado até ontem 1 mil 187 mortos e 76 mil contaminados no Tocantins.
No ex-Norte de Goiás (hoje Tocantins) vacinas sempre demoraram. Nem sempre por falta de vontade política, mas pelo isolamento territorial. Um surto de varíola em Tocantinópolis (Boa Vista), por exemplo, só recebeu atenção do presidente da província de Goiás seis meses depois.
A varíola (contaminação por vírus como a Covid-19) matava 30% dos infectados. Como a Covid-19, também não havia cura para a varíola. Apenas as vacinas. A quase inexistente logística, por outro lado, interceptava a contaminação.
O cidadão contaminado ia a óbito no próprio percurso entre os municípios e a capital da província onde buscava tratamento. Não dava tempo de aglomeração. O vírus perdia-se na estrada. Hoje tem-se vôos, rodovias asfaltadas e as redes sociais para amplificá-lo.
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