A previsão de comercialização é um portento: R$ 2,5 bilhões, o equivalente a 8% do PIB estadual e 23% do orçamento do governo. Ainda mais numa crise de saúde pública com reflexos na economia e a retração econômica mundial impulsionada por movimentos internacionais.
A forma (digital) um desafio e um esforço, conectados um ao outro. Desafio por inusitado e esforço por constituir-se impulso inaudito do governo para "esquentar" a frieza do setor agropecuário que junto com o comércio compõem 32% do PIB regional. Num Estado onde outros 32% da renda estão na administração pública que não produz bens. E o poder público não tem capacidade de financiamento.
A Feira Agrotecnológica que o governo abre nesta quarta na plataforma digital destaca a relevância que o Palácio Araguaia empresta ao segmento. É uma feira em que não se nota questiúnculas político-partidárias tão frequentes nos anos anteriores. Mauro Carlesse conseguiu reunir um grupo de técnicos em seu governo e não se tem conhecimento de baterem cabeça ou de buscarem protagonismo político em detrimento dos objetivos definidos.
Já houve feira em que governadores vetaram ministros!!! Noutras, políticos tentaram fazer da mostra instrumento eleitoral. Um desserviço ao setor e ao Estado até transformar-se na mostra tecnológica digital desta semana.
Há méritos de Mauro Carlesse e do secretário César Hallun. Se vai dar certo e resultar nos R$ 2,5 bilhões, só os dias o dirão. Mas já está nítido que a pandemia não paralisou o governo.
A feira, tudo indica, ressuscitará o Matopiba. Um projeto detonado pelo MDB no governo federal (Michel Temer) e que teve, por aqui, apoio inaudito por sua extinção demonstrado publicamente pelo governador do MDB de então (Marcelo Miranda). Em plena Agrotins.
E por que? O projeto tinha sido colocado na agenda pela petista Dilma Roussef. Hoje está prevista a participação da ministra Tereza Cristina, da Agricultura, em Live com Mauro Carlesse. Ela própria oriunda da bancada ruralista no Congresso e um dos pontos positivos do governo Bolsonaro.
Um projeto sobre uma área de 35 milhões de hectares terras cultiváveis e cuja produção (nos quatro Estados, Maranhão-Tocantins-Piauí-Bahia) cresceu de 1.991 a 2016 a índices de 382%. O equivalente a 1,3 vezes mais do que a produção total brasileira.
A Embrapa (que tem um dos maiores centros de pesquisa do país instalado na Capital) tem programação na feira sobre o Matopiba. Uma área responsável por 9,4% de toda a produção brasileira. E com o incentivo providencial do governo.
Se considerarmos apenas o PIB do Tocantins, o avanço foi de 160% de 2007 a 2015. Sendo que o PIB do agro no período cresceu apenas 90%, tendo do outro lado um número assustador: 55% das pessoas (850 mil pessoas) sobrevivendo com menos de US$ 5 ao dia.
Uma região (Matopiba) que registra um PIB per capita de R$ 7.950,00 contra o PIB per capita nacional de 19 mil. E onde 200 mil produtores situam-se na classe E (muito pobres, renda de até dois mínimos), 35 mil na D (pobres/2 a 10 mínimos), 14 mil na C (média/10 a 200 mínimos) e apenas mil produtores estão nas classes A/B (alta/acima de 200 mínimos de renda).
Tudo concorre para o acerto de Mauro Carlesse ao não deixar a pandemia prejudicar a realização da feira, há duas décadas movimentando produtores (pequenos e grandes)e o setor da indústria e comércio a eles ligados diretamente.


