Já é nítido o confronto (e semelhanças) de agendas institucionais e políticas do governador Wanderlei Barbosa e do vice, Laurez Moreira.
Ontem em Brasília (DF), Wanderlei tinha audiência com Ministro dos Transportes e Laurez estava com a Ministra do Planejamento.
Ambos participaram, também, das agendas políticas do governo federal com prefeitos e bancada congressista. No Estado, igual confluência tem se dado.
Mas são agendas separadas do ponto de vista político. Metaforicamente, seria como se houvesse dois governadores e um só custo público. Intuo que nos bastidores, onde prevalecem no mais das vezes as relações de afeto e do fígado, a crise estaria instalada.
No quadro de passivos e ativos há, entretanto, uma grande diferença: enquanto Wanderlei se move empurrado pelos problemas do Estado onde ficar parado não é a solução, para Laurez, pela natureza do cargo, a quem não é cobrado nada, todo resultado é dividendo político.
Wanderlei teve oportunidade de, como Laurez, à esta altura do calendário eleitoral, dedicar-se a projetos estruturantes e de longo prazo, projetando o futuro e não consertando o passado. E deixar o varejão para o andar de baixo do governo.
Seu governo nos dois primeiros anos avançou na questão fiscal e fez uma poupança considerável.
Mas descambou para o populismo dos gastos, aumento de dívida e da falta de controle das despesas em 2024.
O Estado parece uma festa de diárias, carros alugados e benesses ao funcionalismo e ao empresariado (R$ 2 bilhões de renúncias fiscais).
Impulso que concedeu ser compartilhado com os demais poderes, naquilo que se diz pacto pela governabilidade.
Tanto é que o balanço consolidado (de todos os poderes) publicado ontem não deixa margem de dúvida. Apesar da aceleração da arrecadação de impostos e da desaleração de obras, a situação não é confortável.
O governo (todos os poderes) registrou uma disponibilidade de caixa negativa em R$ 1,728 milhões nos recursos não vinculados em 2024. Nos vinculados não pode mexer.
Em 2023 tinha fechado com disponibilidades de caixa (já contabilizados os restos a pagar), nos recursos não vinculados (disponível) positiva de R$ 361 milhões.
Ou seja, torrou essa dinheirama e caiu na Capag. E depende da liberação de R$ 1,7 bilhão de empréstimos que tem autorização para contrair.
Nas despesas de pessoal pode estar uma das pistas do buraco. O governo (todos os poderes) aumentou os gastos com salário em 2024 em R$ 1 bilhão. Passou de R$ 9,07 bilhões (2023) para R$ 10,1 bilhões (2024).
Isto fez com que elevasse o comprometimento das receitas com salários de todos os poderes de 52,93% (2023) para 54,06% (2024).
É recurso que faz falta nos investimentos que o governo deixou de fazer no ano passado quando investiu apenas 68% do previsto contra uma execução de 81% em 2023.
Daí ter programado para 2025 investimentos em 9% inferiores ao previsto na Lei Orçamentária de 2024.
E aí tem que ir atrás de grana nos bancos.


