A secretária de Desenvolvimento Social, Adriana Aguiar, deixou o cargo e abre um vácuo tanto administrativo quanto político na administração da prefeita Cinthia Ribeiro. A saída pode puxar uma fila de demissionários. Teriam a desculpa na ponta da língua.
A exoneração (a pedido) foi publicada no Diário Oficial na noite de ontem depois de dois dias do protocolo no pedido no gabinete e na Casa Civil.
Adriana teve na saída o tratamento que parece ter recebido do Executivo durante sua participação na administração da Capital (Instituto 20 de Maio e SDS): nenhum telefonema da prefeita ou audiência para discutir assuntos das pastas.
A repetição da forma como que comprovaria as justificativas da agora ex-secretária para deixar a Prefeitura. Ainda assim, Adriana não sai atirando. Pelo contrário, dedica-se a refrear críticas a Cínthia.
Nos bastidores, há muito se tem conhecimento das queixas de secretários, não só de Adriana Aguiar, de não serem recebidos pela prefeita. Reclamações que se estenderiam aos vereadores.
Afinal, projeto administrativo ou político nenhum de um Secretário ou da Câmara de Vereadores vai adiante sem o aval do prefeito municipal. E prefeitos não podem tomar decisões razoáveis sem discuti-las com o assessor que as planeja e executa.
Encontrou-a, Adriana, na noite de ontem uma secretária de Cínthia para comunicar que a prefeita havia aceito a demissão. Nenhum telefonema de agradecimento pessoal da prefeita.
Apenas um recado de muito obrigado pelo intermediário a realçar o preciosismo político já que a prefeita, se tem a competência e a prerrogativa de admitir/demitir, não o possui sobre o livre arbítrio.
De forma que o uso de uma capacidade de aceitar ou não um pedido de demissão é apenas uma espécie de demonstração – especialmente dos políticos com representação - de que a vontade política estivesse acima dos direitos individuais fundamentais de dizer sim ou não.
No campo prático, Adriana Aguiar quando foi chamada por Cínthia para sua administração imaginava que desenvolveria um projeto educacional na prefeitura. Não teve a oportunidade.
É natural que entre o seu projeto, a biografia e a “queimação” da indiferença tenha optado , compreensivamente, pelos primeiros, por mais que se releve as intenções e gestos da prefeita. Tem uma carreira na administração pública, é funcionária concursada da Secretaria Estadual de Educação.
Ali, havia sido secretária de Educação de quatro governos, administrando orçamentos de R$ 1,3 bilhão (contra os R$ 40 milhões que administrava na Prefeitura de Palmas) e tinha deixado o cargo sem qualquer mácula.
Pelo contrário, era tratada pelo ex-governador Mauro Carlesse como uma deputada federal praticamente eleita. Uma referência nacional em gestão escolar.
Pegou-a politicamente de calças curtas o afastamento do ex-governador mesmo que não fosse envolvida nas acusações de desvios.
Deixou o governo, na administração de Wanderlei Barbosa, não por que tivesse problemas com o governador. Pelo contrário, tem relação cordial. Mas impulsionada por seu ethos.
Na Prefeitura de Palmas teve que administrar uma Secretaria sem ter uma secretária executiva e há mais de seis meses não tinha assessoria jurídica para uma pasta que recebe em média 19 notificações judiciais diariamente.
Uma faz de tudo na Secretaria de Desenvolvimento Social que ocupa 26 prédios. Não somente CRAS como se imagina.
Acaso ou destino ontem (quando já estava demissionária) explodiu novo problema nos restaurantes sem que tenha contribuído para tal.
Os contratos haviam sido encerrados em 6 de dezembro e a SDS os havia renovado e publicado no Diário Oficial. A Agetec, entretanto, sem informar à sua Secretaria, decidiu suspender os contratos.
Tudo indica que perdeu Cínthia uma gestora pública competente e uma possibilidade de ter no seu grupo uma política com potencial eleitoral. Uma dupla perda que pode favorecer, obviamente, os seus adversários no que lhe subtrai.


