A participação de policiais nas manifestações golpistas criminosas deveria merecer reflexão das instituições e da população de modo geral.
O PMs do DF, por exemplo, tem o maior piso salarial da categoria no país: R$ 4,7 mil. Isto mesmo, piso!! Isto porque um soldado lá tem um salário bruto de R$ 8.491 (2022). Um capitão ganha lá R$ 18 mil, um cabo R$ 9 mil e um sargento R$ 12 mil.
Tudo pago para garantir a segurança da população e o patrimônio público. Não há outra função para os policiais.
E que se aponte: os policiais do Estado em número razoável concorreram para a ação dos golpistas no Tocantins. Muitos, como no DF, não tinham pejo de se mostrar nos atos golpistas. E fazer vistas grossas aos crimes que eram cometidos em série e em tempo real nas redes sociais.
O piso salarial da PM no Estado é de R$ 3,057 mil. É o 4º maior do país, só atrás de Goiás (R$ 3,095 mil), Sergipe (R$ 3,091 mil) e do DF (R$ 4,7 mil). Ou seja, temos o 24º menor PIB do país e o 4º maior piso salarial de policiais no Brasil.
São Paulo, com um PIB de R$ 2,3 trilhões paga um piso de R$ 2,242 mil. Ou seja, com um PIB de R$ 43 bilhões o Tocantins paga um piso 36% acima de São Paulo que tem um PIB 62 vezes maior que o regional.
Isto aí, repito, piso porque um Soldado no Tocantins recebia em 2022 um salário bruto de R$ 5,7 mil, um sargento R$ 9,638 mil e um capitão tinha vencimentos de R$ 20,375 mil. Um Estado que pela ultima PNAD/IBGE registrava 432 mil pessoas desocupadas (de um PEA de 1,2 milhão de pessoas acima de 15 anos) e um rendimento médio das pessoas ocupadas de R$ 2,4 mil. Mas mantinha (cadastro único) 177 mil familias (700 mil pessoas) na pobreza e extrema pobreza.
Apesar disso, os policiais armados, claro, deixaram criminosos fecharem rodovias e pontes estratégicas (como em Palmas e Porto Nacional) cuja principal finalidade era causar o colapso do fornecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos. E como é público o acampamento dos golpistas no quartel do Exército.
Como não foram barrados ou determinados a reprimir as manifestações ilegais (antes, dela participaram), supõe-se tivessem a conivência do comando. Na lei, prevaricação. Na polícia, crime contra o Estado de direito. Nada muito diferent do que se deu no DF.
Não há nos atos ilegais dos policiais diferença dos comportamentos ilícitos de maus funcionários da força como aqueles que provocaram uma chacina em Miracema para vingar um colega. Até hoje não julgada.
Ou mesmo aquela agressão covarde de PRFs a um lanterneiro que, agora se sabe, tinham origem na PM e no Corpo de Bombeiros.
E que foram denunciados pelo delegado do caso à Justiça por tentativa de fraude processual, acusados de tentar modificar a ocorrência,após o vídeo da agressões ter viralizado, transformando a agressão covarde (de um negro bêbado e já imobilizado) em resistência à prisão ou à tal “injusta agressão”.
Obviamente que há os policiais cientes dos seus deveres e obrigações. Uma delas a de ser policia de Estado e não de governo. E da ilegalidade de servidores públicos armados engrossarem manifestações contra a ordem democrática.
Mas há uma minoria que faz isto ai sem qualquer compromisso com a lei ou receio de punição como se fosse normal um policial armado fazer manifestação pública. É como os golpistas criminosos de Brasilia que não veem nada demais em quebrar o Supremo, Congresso e Palácio do governo.
A polícia no Brasil precisa de uma reforma. Bem como os processos seletivos de pessoas para ingressarem na força. Ou é isto, ou a população, que os paga por proteção, estará sujeita a enfrentar os policiais inescrupulosos e mal formados com armas em punho subjugando a lei.


