Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Ação e reação: Carlesse levanta a bola de Célio Moura que, como Lázaro Botelho, sempre quis ser prefeito de Araguaína

luizarmandocosta 07/03/2020 402 visualizações

Não é assintomática mas rigorosamente explícita a reação do governo à decisão de Lázaro Botelho de entregar o partido (PP) a Kátia Abreu sem qualquer resistência. E, com isto, validaria o golpe e seus próprios erros na condução política de aliados. Mas já é uma reação, ainda que quase tardia.

Como apontei aqui em primeira mão, Botelho pode ter pavimentado uma alternativa para disputar a prefeitura de Araguaína. Pode retornar ao Palácio dentro das possibilidades resguardadas as probabilidades.

Na inversa direção da argumentação de bastidores de que Lázaro não deixara a base governista, o governo circulou na noite de ontem, entretanto, declarações elogiosas do governador Mauro Carlesse ao deputado federal petista Célio Moura (de Araguaína). Motivos: a destinação de R$ 3,9 milhões para aquisição de equipamentos para hospitais públicos do Estado.

Recado claro e no quente das especulações. Para ficar só em dois oposicionistas: Kátia Abreu destinou R$ 6 milhões para fazer 6 mil e 500 cirurgias de catarata no Estado (no Hospital Geral de Gurupi são R$ 41 milhões de emendas da parlamentar) e Tiago Dimas (outro potencial candidato a prefeito de Araguaína e cujo pai está em plena campanha ao governo) destinou grande parte de suas emendas para a saúde. E não se viu Carlesse dar-lhes o mesmo tratamento que concedeu ontem a Célio.

Óbvio que não se poderia exigir do político Carlesse tratamento político de aliado a adversário. Como também é, administrativamente, correto o Governador elogiar a disposição do deputado petista em ajudar na melhoria do atendimento na rede de saúda publica, independente de posicionamento político-partidário. Mas a sugestão de uma aproximação entre Carlesse e Célio, no modo como se dá (ainda que apenas especulativa) influencia na opinião pública, adicionando opções governistas na cidade.

Célio sempre teve, legitimamente, projeto político de administrar Araguaína. O governo irá apoiá-lo? A lógica indica que não. Célio foi vice de Carlos Amastha nas eleições suplementares, é petista de raiz, e foi eleito numa chapa em que o PT era oposição a Mauro Carlesse que tinha Paulo Mourão e Irajá Abreu como candidatos ao Senado e Marlon Reis ao Governo. Mas a declaração embaralha o pensamento fundado no senso comum, mesmo que não siga o bom senso.

Irajá pode disputar o governo daqui a três anos e tanto Mourão quanto Marlon seguem com Amastha. Ainda que Célio Moura não siga cegamente o que PT determina, é programático e orgânico quanto a princípios ideológicos.

Ou seja, Carlesse apenas sugere que tem outras opções na base governista ou fora dela para auxiliá-lo a governar o Estado e manter a sua vontade legítima de manter preservar um projeto político de poder.

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