O orçamento aprovado pelo Legislativo diz muito de intenções governamentais em ano eleitoral e pouco de preocupação de fato com questões fiscais. Espelha, ademais, a abertura que o Executivo tem sugerido a categorias de servidores quando não indica que a profusão de benefícios salariais dos últimos dias pode seguir em 2022, numa relação inversamente proporcional à previsão de receitas.
O governo corrigiu para 2022 as despesas de pessoal em R$ 395 milhões (6,3%). Passou de R$ 6,192 bilhoes (2021) para R$ 6,587 bilhões (2022). A despesa adicional significa cerca de 80% dos R$ 500 milhões com que corrigiu o orçamento de 2021 para 2022 (de R$ 10,9 bilhões para R$ 11,4 bilhões). Prioridade mais que explícita nos números. Natureza absoluta de vontades políticas.
O orçamento já havia perdido para a inflação (a PEC dos precatórios passou o cálculo para janeiro a dezembro) que pode fechar o ano acima de 10%, contra a correção orçamentária de parcos 5,3%. Menos meio bilhão. De outro modo: para um reajuste de receitas de R$ 500 milhões, entregou R$ 395 milhões (para salários) e outros R$ 500 milhões (para a inflação). Resultado: soma negativa de quase um bilhão com pouquíssima margem de erro.
Para se ter uma idéia dos indícios da sangria em curso: no Portal das Transparências desta segunda, a onze dias do final do exercício, o governo já havia empenhado R$ 6,281 bilhões de despesas com pessoal, para o orçamento previsto na Lei Orçamentária de R$ 6,192 bilhões no ano. Significa R$ 89 milhões (1,5%) acima do previsto na lei
Ou seja, se tiver mais despesas de pessoal para pagar terá dificuldade dada a falta de orçamento que já não teria até mesmo para pagar estes R$ 6,2 bilhões empenhados. Ainda que o governo tivesse financeiro em função do desempenho da arrecadação e das transferências.


