Sexta-feira, 23 de Out de 2026

A ⊆ B: o pêndulo da migração de candidatos e chapas nas eleições municipais para sucessão estadual

luizarmandocosta 18/09/2020 325 visualizações

Na matemática, união de conjuntos se dá quando há a junção de elementos de um conjunto com elementos de outros conjuntos. Se existirem elementos que aparecem em vários conjuntos, ele aparecerá uma única vez no conjunto união.

Pois bem: o PSDB decidiu deixar o MDB e apoiar o candidato de Ronaldo Dimas em Araguaína (segundo maior colégio eleitoral do Estado). A presidente regional do PSDB é Cínthia Ribeiro (prefeita de Palmas, maior colégio eleitoral) e de Araguaína, o deputado governista Olintho Neto.

O MDB não é só oposição ao governo (de princípio). Mas antípoda, em tese, pela raiz. Já o PSDB foi alojado no colo de Siqueira Campos por FHC há 20 anos. Retirado sem qualquer explicação de Paulo Mourão, hoje PT mas ex-UDR, um dos braços da UDN radical.

Siqueira, ainda que por práticas udenistas, sempre tentou transmitir, ao longo de sua exitosa trajetória política, que fosse PSD. Talvez resida aí um de seus conflitos. Agia como UDN (nos governos militares), depois de um início mais pessedista (ainda em Colinas) e, criado o Estado, amplificava, com orgulho inaudito, proximidade com o comunista Luis Carlos Prestes.

E com a tentativa de revolta golpista dos tenentes (liderados pelos então tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes) para derrubar a República em 22 (ergueu um monumento ao tenentismo e outro a Prestes lado da sede do poder central). Entrou para a história como UDN e, depois, Arena. Apesar do fator Prestes, outro tenente de outra revolta tenentista que aliou-se ao ditador Vargas.

O senador Eduardo Gomes (oriundo da UDN siqueirista e homônimo/homófono de um dos tenentes líderes da revolta do Forte de Copacabana do monumento da Praça dos Girassóis), governista, selou o apoio do MDB a Cínthia (Palmas) do PSDB.  Elenil da Penha (Araguaína), o candidato do MDB deixado pelo PSDB, tinha apoio da ala autêntica do partido (os principistas), naturalmente mais refratária a Gomes, de origem udenista.

Sob o tropismo pelo poder, entretanto, o que os inspira não é nada diferente de udenistas e pessedistas. Aqui e acolá atraindo petebistas genuínos porque o PTB atual é carne da UDN. Tanto o petebezâo como o PT (que junto com PSOL, PCdoB e que tais), que votam a favor de todas as matérias governistas, de princípio udenista.

Eduardo Gomes tem conversado com Laurez, Dimas, Cínthia (os três maiores colégios eleitorais). E tentado levar o MDB autêntico nas negociações políticas. Não à toa, dias atrás diante da explítica superioridade de seu ativo político e das consequências dela advíndas, defendeu que a decisão em Palmas teria sido consensual, sem divisões.

Contrastando com o fato de que o MDB dos Miranda (vindo de uma cassação e uma prisão de um governador da legenda e sem qualquer candidato competitivo) lançou um pré-candidato (Raul Filho), indiscutivelmente inelegível.

Apesar da reeleição de Cínthia (do PSDB e com o seu explícito apoio) estar aí desde que ela assumiu o mandato e o próprio Gomes. Como não lembrar as declarações do então presidente regional do partido, Derval de Paiva (que sempre vocalizou a ideologia modeba), de que os autênticos teriam ressentimentos do Senador, já depois de sua filiação!!!

Mas retornando aos conjuntos. Se na matemática se admite o conjunto vazio, na política, não!!!. Esse conjunto de movimentos das eleições municipais é um subconjunto das eleições estaduais. E, como é possível notar, há um elemento de intersecção nítido: o senador Eduardo Gomes incluso nos dois conjuntos, tanto ideológico como pragmático. Ambos fincados na história.

 

 

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