Janad Valcari fez sua convenção ontem como desejava. E até certo ponto era merecedora dado o esforço político e físico na pré-campanha. Tem seus méritos.
Muito bem demonstrados na dianteira que lhes dão as pesquisas de intenção de votos na pré-campanha e que não são resultado apenas de presuntivas manipulações.
E ainda que os fins não justifiquem os meios (e sim os qualifique), as críticas de seus adversários a determinados métodos discutíveis parece não ter influenciado nos eleitores até aqui. Jogo jogado.
A definição de Wanderlei Barbosa pelo seu palanque (anunciada ontem) já era, pela lógica, também esperada.
Só faltava o Republicanos ter o vice e o presidente regional do partido não o apoiá-lo e à chapa. É situação maior do que ocupar-se hoje sobre problemas futuros.
O fato é que Wanderlei não construiu uma liderança própria do Republicanos para a sucessão municipal. Centrou muito no filho, deputado Leo Barbosa, que não podia ser candidato com o pai no governo.
E o Palácio convive (e às vezes até estimula) a disseminação de conspirações. O tal fuxico está nas entranhas do poder. Não só de hoje.
Ao simples exercício dessa fidelidade partidária e racionalidade, muitos jornalistas militantes do governo, entretanto, deram-no como “vitória” da deputada e apoio “do governo”.
Estabelecendo, com a régua semântica, não só a previsão, mas garantia de resultado eleitoral. E que este fosse o melhor para a população. Uma escolha pessoal mais que informação.
Destaque-se ainda o tom que Wanderlei escolheu para declarar o apoio. Despreocupado com os fatos, negou (implicitamente) resistência à aliança.
Escorou-se no "tempo certo", distante de relações de afeto. Mas passou, contraditoriamente, recibo nas especulações ao reafirmar o apoio da 1ª dama e da família a Janad, certificando, por óbvio, a dúvida que estava a negar.
Não só conhecido do seu círculo de assessores quanto de familiares. Mas também demonstrado no diferente tratamento que concedeu a candidaturas que lhe são caras em Almas, Porto Nacional, Araguaína e Paraíso, para ficar só nestas.
De resto, os discursos da convenção do PL foi um monte de contradições. O grupo de partidos bolsonaristas fez carga contra herança política, negando a legitimidade dos eleitos e a própria família do governador. A lembrança da família Bolsonaro é só um detalhe.
Como o vice de Janad, Pedro Cardoso, tem no pai deputado estadual, Cleiton Cardfoso, seu maior impulso, a gravidade certamente devolveu a acusação do vício ao rosto da própria aliança.
O grupo de Janad (agora de Wanderlei, Dorinha, Vicente Jr, Marcelo Miranda e Eduardo Gomes) é Integrado hoje por políticos originários da União do Tocantins, comandada com mão de ferro por Siqueira Campos e Eduardo Siqueira que é pre-candidato e não se atreveu a passar-lhe borracha
Ou seja, partidos de uma estrutura quase feudal. Onde até pais políticos elegem filhos, irmãos, sobrinhos e que tais. A lista não é pequena. Veja nesta lista aí que passou feudos a filhos e busque na campanhas a evolução de seus patrimônios pessoais.
E por fim, difícil não registrar parte do discurso do Chefe do Executivo de que a alegria irá voltar em Palmas novamente.
Até dias atrás, Wanderlei era aliado da prefeita Cinthia Ribeiro. Janad foi o elemento que os separou, como é sabido.
Tomada pelo valor de face, a declaração do governador sugere o raciocínio de que até dias atrás, quando tinha aliança política com a prefeita, Palmas era "infeliz" e ele, morador da cidade desde sua criação e governador do Estado, não sabia.
Já o conceito de felicidade é interessante: no mês de julho, o governador celebrou (com toda razão) os 76% de aprovação popular (no Estado). Após dois anos e meio no cargo.
No mesmo mês a prefeita Cínthia registrava 59,36% de aprovação após sete anos no cargo!!! E sofrendo carga pesada diária de setores da imprensa, do MPE e do grupo.
Uma informação: de 2008 a 2020, todos os prefeitos eleitos da Capital o foram disputando contra candidatos apoiados pelo Palácio Araguaia.
Em síntese: Wanderlei seguiu a lógica ao decidir-se por Janad (outros governadores também decidiram na última hora como Siqueira e Marcelo Miranda).
O discurso é que merece ser calibrado.


