O estrago provocado pelo discurso de Wanderlei Barbosa (Republicanos) ontem na candidatura da senadora Dorinha Seabra (UB) não é irrelevante.
O uso de uma suposta cumplicidade entre ele e uma dezena de deputados investigados no mesmo inquérito do STJ (que também receberam operação da PF) para refutar pedidos de impeachment pode ter sido mero exercício de iniquidade. Suas consequências, não.
O governador discursou tipo: pode colocar, mas vocês vão juntos.
Wanderlei enxergou nos deputados aquilo que o Superior Tribunal de Justiça não havia detectado, fazendo uma espécie de “delação premiada” aos eleitores.
No popular: uma ameaça de deduragem política regional para forçar a não tramitação do impeachment. Isto porque no STJ/STF em nada influenciará.
Diferente de Wanderlei, o Superior Tribunal de Justiça não afastou os deputados investigados. Viu fragilidade de indícios e evidências.
Wanderlei ficou afastado 90 dias e retornou sob condições especiais do STF por medida liminar.
Wanderlei não é candidato a nada este ano. Os deputados irão às ruas botar a cara de fora pedindo votos. Para eles e Dorinha.
Mas Amelio Cayres (presidente do Legislativo) aquiesceu: prometeu para a próxima semana mandar para o arquivo todos pedidos de impeachment de Wanderlei.
Os deputados provocados por Wanderlei e tratados como parceiros na operação da PF são esperados nesta sexta no lançamento da pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra.
A oposição, no papel de franca atiradora, deve estar delirando com o farto e explosivo material que lhe caiu de bandeja. Afinal, só libera emendas no governo deputados da base governista.
E se o próprio líder governista os coloca sob suspeita, não podem fazer nada para contrariá-lo.



