O governador Wanderlei Barbosa (como vai nos portais) teria reiterado ontem (novamente) que vai permanecer no governo até o fim.
Mais: “desafio qual é o dirigente do Republicanos que me faz sair”, teria proposto o Governador.
O governador é o presidente regional de uma comissão provisória do Republicanos. Não é diretório. Comissões provisórias podem ser alteradas ad nutum.
A declaração vem um dia após ter sido confirmada conversa do Governador com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Por sinal, um dos advogados responsáveis por sua defesa no STF.
A proposição do desafio, por óbvio, provoca leitura inversa: existiria uma força no Republicanos que o sustentaria no não sair, impondo a não renúncia.
Kant, Schopenhauer, Freud, Nietzsche, Fichte, Descartes, inúmeros filósofos escreveram sobre a dialética do sim e do não.
Wanderlei pode estar dizendo sim a ele próprio ao dizer não a disputar o Senado. Mas pode estar com o não abrindo mão de um sim que o favoreceria.
A necessidade de realçar diariamente o não (e o seu sim) se dá, em larga medida, pela contradição entre o discurso e a prática.
Comprovado na própria fala de ontem: ninguém proporia um desafio a um aliado para fazê-lo sair (e disputar o Senado) se não notasse no grupo motivações que tentassem demovê-lo do não sair.
O curioso disso tudo é que "o não sair" atenderia a acordo firmado entre o PL/UB com o Republicanos. E que teria eliminado a possibilidade do Republicanos disputar o governo e o Senado.
Como Wanderlei faz o desafio, o Republicanos teria entrado numa fria: tenderia, sem senador, governador ou vice, à desidratação eleitoral por falta de poder político.
E essa equação não foi proposta pela oposição, como discursou o Governador.
PS: Siqueira Campos negou uma renúncia (para possibilitar uma candidatura de Eduardo Siqueira) até o dia 4 de abril de 2014. Último dia do prazo.
Este ano, o último prazo é justamente 4 de abril. Menos de mês.


